Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta docentes

Brincar e o desenvolvimento Cerebral

Imagem
As  descrições de práticas na Educação de Infância afastadas do que realmente importa, continuam a surgir de forma incessante. Por incrível que pareça, continua-se a insistir em práticas que valorizam os tracejados, os números, as letras… tudo o que os afasta de ser crianças.  Por incrível que pareça, continua a existir a urgência de refletir acerca do brincar.   Reconhecer a importância que o brincar assume no desenvolvimento integral das crianças, é refletir na necessidade de construção de uma boa estrutura educativa, que deve ser centrada nas oportunidades, vivências, desafios e ambientes positivos e estimulantes. Acima de tudo, é permitir dar-lhes tempo para fazerem o melhor que sabem: brincar. Mas é preciso dar tempo! Os caminhos que se constroem durante o processo do brincar, vivem, de um modo direto, o processo de aprendizagem. Inevitavelmente, brincar é um processo que nos transporta para o conceito de adaptação e de evolução da espécie, sendo evidente a nece...

Quando o “não consigo” é barreira.

Imagem
Diariamente, esta expressão, não consigo, deve ser aquela que mais escutamos, aquela que dizem sem pensar, fruto de insegurança e de uma exigência desmedida e fora do seu alcance. O que promovemos, que comportamentos exigimos, que pensamento estamos a criar? Tem sido recorrente, ao longo dos anos, a fragilidade dos pequenos se notar através de expressões que denotam uma baixa autoestima, uma dificuldade enorme em reconhecer as suas potencialidades e as suas capacidades. Esta expressão que, aparentemente, soa a não tentar, leva a uma reflexão ainda mais profunda. Numa sociedade de competição, em que todos têm de ser os melhores, as responsabilidades que se colocam nos seus pequenos ombros, elevam a inconsciência das suas capacidades, tornando-os seres inseguros, incapazes de ousar, ou sequer, de construir uma opinião fundamentada. A nossa forma de ação deve ser de encorajamento, deve ser de estabelecer pontes entre o que são e o que conseguem, atribuindo um significado fundament...

Calças rotas, joelhos esfolados, mas de sorriso no rosto!

Imagem
A rua tem sido uma aventura, mesmo quando nem todos entendem o seu verdadeiro significado para as crianças. Quando a rua se torna um espaço de aventura e os adultos o permitem, de facto,  as idas à rua tornam-se únicas, especiais, diferentes a cada dia que passa, mesmo que o espaço seja o mesmo, a imaginação e a criatividade de cada um, de cada criança, torna esse mesmo espaço exterior único, um palco de vivências Por entre espadas e tubarões, princesas e dragões, fogueiras e fogões, não há limites para a criatividade, para a aventura. Não há limites para o brincar. É um momento único, em que apenas sabemos onde inicia, para onde vai, que caminho seguem, que cenários de brincadeira constroem, que mapas mentais elaboram só eles o sabem… nós, observamos, potencializamos e, mais do que tudo, valorizamos este tempo. Nestes tempos de correria, de cumprimento de horários, haverá melhor do que permitir que brinquem ao sabor do seu tempo?  Haverá melhor tempo na planificação do que as...

Uma semana depois do regresso…

Imagem
Uma semana depois do regresso… A ansiedade para regressar, sentida por pais, por educadores e, talvez, por crianças era muita. A necessidade de voltar a uma suposta normalidade, à escola, às relações, aos afetos escolares, às aprendizagens, mas, acima de tudo, a necessidade de voltar a brincar e a promover a atividade física era urgente. Que efeito provocou este confinamento nos mais novos? Que cuidados tivemos, e continuamos a ter, quando os recebemos? O que promover neste regresso? … Eram muitas as questões que nos inquietavam. Eram muitos os anseios e receios vividos, mas o importante, era estarmos conscientes de que teríamos um papel fundamental no regresso, no acolhimento. Segunda-feira, as portas das escolas abriram-se. De mão dada com os pais, aproximavam-se do portão da escola. Os pais, ansiosos, permaneciam no exterior sem poder acompanhar os mais pequenos até à sala. Os abraços foram mais demorados, os beijos não terminavam, mas mesmo assim, tentavam a todo custo transmitir c...

Amanhã seremos construtores de memórias.

Imagem
Amanhã voltamos… Amanhã voltamos, construtores de memórias As escolas abrem e estaremos ansiosos por receber cada criança. Ansiosos, receosos, por não sabermos bem o que aí vem, o que nos espera. Sabemos que virão ansiosos por voltarem a estar juntos.  Felizes por se verem fora do computador.  Alegres por poderem sair de casa e voltar a criar relações com os outros. Abriremos os braços e acolheremos cada um deles de um modo caloroso, como sempre o fizemos. Faremos do dia de amanhã, como se fosse o primeiro dia de escola: cheio de afeto, cheio de calor humano, cheio de novidades para contar. Possivelmente haverá lágrimas, já não estamos juntos há dois meses, e isso pesa. A saudade que cada um sente, à sua maneira, da sua forma, manifestar-se-á e transformar-se-á de acordo com a sua capacidade de se exprimir, uns mais efusivamente, outros mais contidos. Mas, seja qual for a forma que escolherem, acolheremos cada um, de modo a acalmar as respirações aceleradas, de modo a acalmar ...

Vende-se: intencionalidade educativa e/ou projetos! MP

Imagem
Hoje decidi abrir as caixas que guardo no sótão. Decidi tirar cada folha, cada manual, que ali guardo miraculosamente, porque preciso de encontrar espaço livre e de lhes dar alguma rentabilidade. Apesar de serem materiais que guardei e preparei com todo o cuidado para as crianças da minha sala, decidi torná-las públicas e partilhá-las. Partilhá-las não, vendê-las, que os tempos estão difíceis para todos e gastei tempo a preparar todos estes documentos. São verdadeiras obras pedagógicas, que resultaram do meu estudo, das minhas formações e da construção e adequação constante às crianças da minha sala. Continuo a valorizar o que dizem, o que fazem e tenho a intenção de tornar o meu trabalho um reflexo do que elas necessitam. Posto isto, após muita observação e valorização das crianças, pus mãos à obra e, estes projetos, são reflexo da minha intencionalidade, são reflexo do meu empenho na minha profissão, são reflexo de que, antes de os aplicar, tive de observar e de planear, e após a sua...

Empenhados em fazer Educação de Infância… à distância.

Imagem
Repetimos o cenário. Voltamos a agir à distância, tal como fizemos há um ano atrás. O que corrigimos?  O que mudamos?  Ao que nos desafiamos desde então? Mais uma vez voltamos a estar em frente ao computador para criar dinâmicas, sugestões, atividades pensadas (o que lhe queiram chamar), unicamente e exclusivamente, ou então não, para o grupo que temos à nossa responsabilidade. O desafio é enorme, mas mais do que carregarmos emails com as ditas propostas, torna-se urgente refletir no que estamos a fazer e na forma como estamos a chegar às famílias. Presencialmente, afirmamos: a nossa prioridade recai sobre o superior interesse das crianças. Presencialmente, afirmamos: a nossa prioridade é permitir que eles construam relações, que vivam os afetos e aprendam a lidar com eles. Sabendo que, neste momento, não estamos em formato presencial, esquecemo-nos destas premissas que definimos para a Educação de Infância.  Substituímos as relações e os afetos por folhas, por ...

Ser educador de infância/professor que inspira os seus alunos

Imagem
O tempo que se avizinha é, em tudo, semelhante ao que já vivemos no ano passado. O teletrabalho ganha, novamente, maior força. As famílias passam mais horas juntas e passam a partilhar o mesmo espaço durante mais tempo. As crianças, mais dependentes, permanecem junto dos seus cuidadores, dos pais, com a necessidade de maior atenção. Os níveis de stress aumenta nos pais, por não conseguirem realizar o seu trabalho como deveriam. As crianças ficam demasiado ansiosas, as chamadas de atenção tornam-se constantes e as birras mais frequentes. Torna-se o reviver de um cenário e de um guião que parece que já foi escrito e que nos limitamos a repeti-lo. As escolas fecharam e mesmo à distância, há laços que não se podem perder, há relações que não podem desvanecer. Centremo-nos no que importa, ultrapassar este cenário da melhor forma, olhando para ele de um modo positivo e com a responsabilidade merecida. Vamos olhar para a nossa responsabilidade civil como um modo de agir e não se sermos negaci...

Não leiam, porque já não é atual!

Imagem
No meu tempo tudo era diferente.  À hora marcada todos chegavam e deixavam os casacos e os pertences nos cabides à entrada da sala. Em silêncio entrávamos na sala, de modo a que o dia começasse tranquilo, sem interrupções e/ou choros.  O quadro de ardósia tinha a data escrita a giz branco, com a letra manuscrita, desenhada de um modo cuidado pelo Professor. O exemplo tinha de ser perfeito. Junto ao quadro, um estrado em madeira gasta, ajudava-nos a subir para melhor desempenharmos o que nos era pedido. Ao lado deste quadro o Mapa de Portugal aparentava estar velho, mas as cores sumidas, ainda nos permitia distinguir tudo o que ele continha.  Ao fundo da sala, estava a cana que acompanhava quase toda a altura da parede, desde o chão até ao teto. E em algumas vezes nos afagou a cabeça, e por vezes até as mãos. Nesses momentos fazíamo-nos fortes para que as lágrimas não nos corressem pelas faces, assim não seríamos alvo de chacota infantil.   Falar enquanto o Profe...

Vamos ser (educadores) influencers?

Imagem
Os tempos não têm sido fáceis.  Andamos cansados e fartos de utilizar máscaras, de viver distanciados e preocupados com o nosso futuro. Mas, mais do que com o nosso futuro, andamos preocupados com o futuro dos mais pequenos que estão a viver uma infância completamente diferente daquela que seria de esperar. É certo que vamos reconhecendo que estes pequenos são seres capazes de criar, de se envolver, de se interessarem pelo seu crescimento e pelas aprendizagens que vão surgindo. São interessados em desenvolver as suas brincadeiras, de construir planos mentais e torná-los reais!  Mas, onde ficamos nós no meio tudo isto?  As práticas (enquanto educadores, professores) tenderam a valorizar o espaço exterior, tenderam a reconhecer, ou não, as suas potencialidades e quase se tornaram moda. Embora seja uma moda com muito sentido, não poderemos deixar de refletir nas oportunidades que continuamos obrigados a proporcionar, mesmo além portas. Não nos podemos limitar a seguir um reb...