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Uma semana depois do regresso…

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Uma semana depois do regresso… A ansiedade para regressar, sentida por pais, por educadores e, talvez, por crianças era muita. A necessidade de voltar a uma suposta normalidade, à escola, às relações, aos afetos escolares, às aprendizagens, mas, acima de tudo, a necessidade de voltar a brincar e a promover a atividade física era urgente. Que efeito provocou este confinamento nos mais novos? Que cuidados tivemos, e continuamos a ter, quando os recebemos? O que promover neste regresso? … Eram muitas as questões que nos inquietavam. Eram muitos os anseios e receios vividos, mas o importante, era estarmos conscientes de que teríamos um papel fundamental no regresso, no acolhimento. Segunda-feira, as portas das escolas abriram-se. De mão dada com os pais, aproximavam-se do portão da escola. Os pais, ansiosos, permaneciam no exterior sem poder acompanhar os mais pequenos até à sala. Os abraços foram mais demorados, os beijos não terminavam, mas mesmo assim, tentavam a todo custo transmitir c...

Ser educador de infância/professor que inspira os seus alunos

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O tempo que se avizinha é, em tudo, semelhante ao que já vivemos no ano passado. O teletrabalho ganha, novamente, maior força. As famílias passam mais horas juntas e passam a partilhar o mesmo espaço durante mais tempo. As crianças, mais dependentes, permanecem junto dos seus cuidadores, dos pais, com a necessidade de maior atenção. Os níveis de stress aumenta nos pais, por não conseguirem realizar o seu trabalho como deveriam. As crianças ficam demasiado ansiosas, as chamadas de atenção tornam-se constantes e as birras mais frequentes. Torna-se o reviver de um cenário e de um guião que parece que já foi escrito e que nos limitamos a repeti-lo. As escolas fecharam e mesmo à distância, há laços que não se podem perder, há relações que não podem desvanecer. Centremo-nos no que importa, ultrapassar este cenário da melhor forma, olhando para ele de um modo positivo e com a responsabilidade merecida. Vamos olhar para a nossa responsabilidade civil como um modo de agir e não se sermos negaci...

Não leiam, porque já não é atual!

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No meu tempo tudo era diferente.  À hora marcada todos chegavam e deixavam os casacos e os pertences nos cabides à entrada da sala. Em silêncio entrávamos na sala, de modo a que o dia começasse tranquilo, sem interrupções e/ou choros.  O quadro de ardósia tinha a data escrita a giz branco, com a letra manuscrita, desenhada de um modo cuidado pelo Professor. O exemplo tinha de ser perfeito. Junto ao quadro, um estrado em madeira gasta, ajudava-nos a subir para melhor desempenharmos o que nos era pedido. Ao lado deste quadro o Mapa de Portugal aparentava estar velho, mas as cores sumidas, ainda nos permitia distinguir tudo o que ele continha.  Ao fundo da sala, estava a cana que acompanhava quase toda a altura da parede, desde o chão até ao teto. E em algumas vezes nos afagou a cabeça, e por vezes até as mãos. Nesses momentos fazíamo-nos fortes para que as lágrimas não nos corressem pelas faces, assim não seríamos alvo de chacota infantil.   Falar enquanto o Profe...

Vamos ser (educadores) influencers?

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Os tempos não têm sido fáceis.  Andamos cansados e fartos de utilizar máscaras, de viver distanciados e preocupados com o nosso futuro. Mas, mais do que com o nosso futuro, andamos preocupados com o futuro dos mais pequenos que estão a viver uma infância completamente diferente daquela que seria de esperar. É certo que vamos reconhecendo que estes pequenos são seres capazes de criar, de se envolver, de se interessarem pelo seu crescimento e pelas aprendizagens que vão surgindo. São interessados em desenvolver as suas brincadeiras, de construir planos mentais e torná-los reais!  Mas, onde ficamos nós no meio tudo isto?  As práticas (enquanto educadores, professores) tenderam a valorizar o espaço exterior, tenderam a reconhecer, ou não, as suas potencialidades e quase se tornaram moda. Embora seja uma moda com muito sentido, não poderemos deixar de refletir nas oportunidades que continuamos obrigados a proporcionar, mesmo além portas. Não nos podemos limitar a seguir um reb...

Leitura da Epístola de Santa Natureza aos Educadores

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Irmãos,  Naquele tempo foi criada a natureza com tudo o que havia de mais belo.   Havendo tal jardim, belo e único, foi povoado pelos seres humanos, de modo a que o tornassem um local de explorações, de aprendizagens e de respeito entre todos. Eram felizes, em tempos felizes.  Com o passar do tempo surgiram os desafios e as provações, surgiram as angústias e as desilusões. Os seres que coabitavam nesse paraíso deixaram de o respeitar e tornaram o  espaço de liberdade, exploração, criatividade e crescimento num espaço cinzento sem cor, sem terra, sem árvores e sem a liberdade que os caracterizava. Os tempos mudaram, viviam agora centrados em si mesmos, sem permitir o crescer livre, o crescer divertido e ousado. Esse crescer deu lugar à estrangulação da liberdade, da criatividade, da escolha e da opinião.  Nos espaços, outrora verdes, cresceram blocos de cimento a que chamavam casas. Aí, acolhiam as famílias que tornaram os pequenos compartimentos isolados do que ...

Aos pais... Cumprimentos da fábrica de afetos...

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Recomeçamos. À porta das escolas as filas que se formaram pareciam não ter fim. Protegidos da chuva que caía sem dar tréguas, refrescavam as suas pequenas cabeças que ali esperavam, ansiosamente a sua vez para entrar nas designadas, por alguns, fábricas de encomendas.  Todos estão a sentir, ora a ansiedade, ora o receio, ora a esperança de que, tudo isto presente neste novo modo de vida, passe depressa e possamos voltar a acompanhar as crianças até à sala e se consiga entregar as encomendas de uma forma plena e harmoniosa. Do interior, os empregados fabris, de tais fábricas de encomendas, esperam ansiosamente a chega das pequenas encomendas. O espaço está preparado, os procedimentos são revistos mentalmente, e mesmo sabendo que a lista é interminável, a consciência de que tudo se fará, para que as encomendas fiquem bem, é o que se mantém presente.  O ponteiro parece não andar e a ansiedade aumenta a respiração, que está impedida de decorrer de um modo livre pela máscara que e...

Assistentes operacionais, mais do que um termo, uma profissão.

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Ao longo de todo o ano planeiam-se atividades à medida de cada grupo, definem-se horas, sem fim, de planificações, de momentos que se consideram ricos em oportunidades para as crianças, que valorizam cada interesse, dificuldade, conquista, momentos que se constroem e que se pensam através de uma relação existente em sala. Sabendo que surgem de um modo intencional, pedagógico, é extremamente importante sublinhar o peso que as pessoas que nos acompanham têm na sua concretização. Os nomes são vários para esta profissão, mas mais do que um nome, um termo, é a sua disponibilidade para se aventurarem todos os dias nos abraços, nos toques, nas relações, nas tristezas, nas alegrias, surgindo, quase como se de um casamento se tratasse. Apoiam sem medida, todos aqueles com quem criaram uma aliança no início do ano, uma aliança que valoriza o afeto, a atenção, o respeito e o caminho conjunto a seguir. As metas definem-se em equipa, o modus operandi,  baseado nas prioridades, na vi...

Esses anjos, vestidos de gente

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Se algum dia alguém vos dissesse, “são anjos vestidos de gente”, saberíamos a quem se referiam? Certamente que não relacionaríamos logo a quem, ou a quê, e ficaríamos intrigados a quem fariam tal comparação. De facto, quem o diz, di-lo com o coração, lê cada alma, cada vida, cada vivência e experiência. Lê e faz a leitura pelo crescimento dos que estão à sua volta e, de lágrimas no rosto, entrega mesmo sem saber que rumo tomarão esses ditos anjos. A esses anjos que se esforçam para acompanhar cada tarefa, cada passo, cada abraço, cada sentimento, cada um, são anjos, dizem, porque esses anjos, não vestem asas, não voam, mas fazem voar, fazem sentir, fazem crescer e crescem com eles. Esses anjos são, esses anjos sentem, esses anjos vivem, esses anjos constroem, esses anjos… quem serão? O agradecimento ganha corpo, voz, olhar, sentir, ganha o encanto que ninguém consegue pintar, torna-se uma tela de cores, com tintas tão raras, puras e sentidas, tintas que não se vendem em ...

No dia em que a terra (e a escola) recomeçou…

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No dia em que a terra parou, os barcos deixaram de navegar, os carros deixaram de andar, os aviões deixaram de voar. Neste dia, os animais ganharam o seu espaço, a natureza foi encontrando o equilíbrio que necessitava e nós, tornamo-nos prisioneiros nas jaulas que, nós mesmos, contruímos.  No dia em que a terra parou, tiraram-nos os abraços, o toque e o sentir. Isolaram-nos separadamente de todos aqueles de quem gostamos, obrigaram-nos a estar afastados, no entanto, reinventamo-nos neste novo viver.  No dia em que a terra parou, reclamamos que os risos das crianças deixaram de se ouvir, que a rua deixou de ter o movimento que estávamos habituados a ver, que os parques infantis ficaram vazios e sem crianças a brincar, a imaginar e a criar. Queixámo-nos dessa liberdade que nunca reconhecemos e, mesmo sem valorizar o espaço exterior que as crianças insistiam em utilizar, reclamamos pela sua devolução. No entanto, antes de todo o confinamento, nem sequer o aproveita...