Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta ar livre

Calças rotas, joelhos esfolados, mas de sorriso no rosto!

Imagem
A rua tem sido uma aventura, mesmo quando nem todos entendem o seu verdadeiro significado para as crianças. Quando a rua se torna um espaço de aventura e os adultos o permitem, de facto,  as idas à rua tornam-se únicas, especiais, diferentes a cada dia que passa, mesmo que o espaço seja o mesmo, a imaginação e a criatividade de cada um, de cada criança, torna esse mesmo espaço exterior único, um palco de vivências Por entre espadas e tubarões, princesas e dragões, fogueiras e fogões, não há limites para a criatividade, para a aventura. Não há limites para o brincar. É um momento único, em que apenas sabemos onde inicia, para onde vai, que caminho seguem, que cenários de brincadeira constroem, que mapas mentais elaboram só eles o sabem… nós, observamos, potencializamos e, mais do que tudo, valorizamos este tempo. Nestes tempos de correria, de cumprimento de horários, haverá melhor do que permitir que brinquem ao sabor do seu tempo?  Haverá melhor tempo na planificação do que as...

Amanhã seremos construtores de memórias.

Imagem
Amanhã voltamos… Amanhã voltamos, construtores de memórias As escolas abrem e estaremos ansiosos por receber cada criança. Ansiosos, receosos, por não sabermos bem o que aí vem, o que nos espera. Sabemos que virão ansiosos por voltarem a estar juntos.  Felizes por se verem fora do computador.  Alegres por poderem sair de casa e voltar a criar relações com os outros. Abriremos os braços e acolheremos cada um deles de um modo caloroso, como sempre o fizemos. Faremos do dia de amanhã, como se fosse o primeiro dia de escola: cheio de afeto, cheio de calor humano, cheio de novidades para contar. Possivelmente haverá lágrimas, já não estamos juntos há dois meses, e isso pesa. A saudade que cada um sente, à sua maneira, da sua forma, manifestar-se-á e transformar-se-á de acordo com a sua capacidade de se exprimir, uns mais efusivamente, outros mais contidos. Mas, seja qual for a forma que escolherem, acolheremos cada um, de modo a acalmar as respirações aceleradas, de modo a acalmar ...

Não leiam, porque já não é atual!

Imagem
No meu tempo tudo era diferente.  À hora marcada todos chegavam e deixavam os casacos e os pertences nos cabides à entrada da sala. Em silêncio entrávamos na sala, de modo a que o dia começasse tranquilo, sem interrupções e/ou choros.  O quadro de ardósia tinha a data escrita a giz branco, com a letra manuscrita, desenhada de um modo cuidado pelo Professor. O exemplo tinha de ser perfeito. Junto ao quadro, um estrado em madeira gasta, ajudava-nos a subir para melhor desempenharmos o que nos era pedido. Ao lado deste quadro o Mapa de Portugal aparentava estar velho, mas as cores sumidas, ainda nos permitia distinguir tudo o que ele continha.  Ao fundo da sala, estava a cana que acompanhava quase toda a altura da parede, desde o chão até ao teto. E em algumas vezes nos afagou a cabeça, e por vezes até as mãos. Nesses momentos fazíamo-nos fortes para que as lágrimas não nos corressem pelas faces, assim não seríamos alvo de chacota infantil.   Falar enquanto o Profe...

Leitura da Epístola de Santa Natureza aos Educadores

Imagem
Irmãos,  Naquele tempo foi criada a natureza com tudo o que havia de mais belo.   Havendo tal jardim, belo e único, foi povoado pelos seres humanos, de modo a que o tornassem um local de explorações, de aprendizagens e de respeito entre todos. Eram felizes, em tempos felizes.  Com o passar do tempo surgiram os desafios e as provações, surgiram as angústias e as desilusões. Os seres que coabitavam nesse paraíso deixaram de o respeitar e tornaram o  espaço de liberdade, exploração, criatividade e crescimento num espaço cinzento sem cor, sem terra, sem árvores e sem a liberdade que os caracterizava. Os tempos mudaram, viviam agora centrados em si mesmos, sem permitir o crescer livre, o crescer divertido e ousado. Esse crescer deu lugar à estrangulação da liberdade, da criatividade, da escolha e da opinião.  Nos espaços, outrora verdes, cresceram blocos de cimento a que chamavam casas. Aí, acolhiam as famílias que tornaram os pequenos compartimentos isolados do que ...

Não os proíbam de brincar, mas não sujem o cabelo e a roupa!

Imagem
A temática do brincar tem sido algo bastante debatido. Associar o brincar ao espaço exterior torna-se uma ligação frequente em links partilhados, em imagens cheias de expressão, em frases cheias de sentimento, em práticas a saltar para fora da caixa.  São esforços, tantas vezes, desvalorizados, para se tentar mostrar que a rua se torna uma verdadeira companhia de brincadeira.   Mas, artigo após artigo, vamos repetindo argumentos com a esperança de que todos valorizem o brincar, de que todos valorizem o trepar árvores, o cair, o sujar e tantas outras experiências.  Cai em saco roto.  As práticas tornam-se desafiantes, ou pelo menos, partilha após partilha, leitura após leitura (quando nos damos ao trabalho de ler além do título) encorajamo-nos a mudar... movemo-nos pela mudança e, por escassos segundos, começamos a potenciar o espaço exterior e a projetar ideias e formas de levar os mais pequenos a aproveitar o espaço... ideias que se perdem e que...

Que se faça um minuto de silêncio, em memória da educação

Imagem
Apesar do frio ter voltado, a rua continua a ser um ótimo espaço de brincadeira. O céu mantém-se azul, as nuvens correm perdidas pelo céu e, sem se aperceberem, por cima das cabeças pairam nuvens cheias de imaginação e criatividade.  Já alguma vez se deitaram no chão a olhar as nuvens a imaginar a que forma se assemelham?  Sem material preparado, só o chão como suporte e o céu como limite, cria-se uma oportunidade de brincar com a mente, de fazer cócegas à imaginação, de libertar a criatividade.  Deitados, ou em pé, cada um imagina e cria como quer, como lhe apetece, como necessita.  Soa, simplesmente, a um momento de tranquilidade, de equilíbrio, de relaxamento, de atenção e concentração, com tantas outras competências possíveis de explorar,... Deitem-se e olhem o céu.  Quantos de nós, saem do seu alto pedestal e se deitam junto deles, no chão? Quantos abandonam uma figura vertical e se tornam exemplos de diversidade, de criação, imagin...

Apressem-se, a escola está a terminar e, ainda, não aprenderam a brincar

Imagem
Já repararam como o ano não tarda a terminar?  Já repararam como o tempo passou num ápice? Pelo caminho ficaram tantos projetos, tantas atividades que gostaríamos de ter feito…  Mas calma, ainda faltam uns meses para terminar, por isso, há, ainda, muito a fazer! As pastas tem de seguir cheias para casa, com todo o trabalho, esforçado, das crianças. As paredes ainda não estão suficientemente preenchidas, e os projetos que foram definidos no início do ano, ou até mesmo antes deste arrancar, ainda nem sequer foram concluídos.  Por isso, há ainda tanto a fazer.  Os arraiais começam-se a preparar e as crianças tornam-se marionetas de um espetáculo que pretende mostrar o trabalho desenvolvido ao longo do ano, ou então não. Empenhados, (des)motivados, e repetição após repetição, ensaiam direitinho  e realizam rigorosamente, desajeitados, os passos que lhes são ordenados.  Mas o tempo está a passar e, além da festa, as prendas de final de an...

Brincar na rua ou não, eis uma bela questão!

Imagem
Brincar na rua ou não brincar, eis uma bela questão!  Se está frio, não se podem constipar.  Se está a chover, não se podem molhar.  Se está vento, não o podem sentir.  Se está calor, não podem suar.  Se... Se... Se... Seja qual for o estado do tempo, a sala/casa é o melhor sítio para brincar.  Se saem à rua, não podem correr.  Se veem uma árvore, não a podem trepar.  Se têm uma poça, não podem chapinhar.  Se veem a relva, não podem rebolar.  Se encontram paus, não lhes podem tocar.  Se há lama por perto, por favor, cuidado, que se podem sujar!  Se... Se... Se... Tantos "ses" para evitar aquilo que melhor sabem fazer: brincar!  Tantas prioridades estabelecidas ao longo do dia, mas tão pouco coerentes, tão pouco direcionadas aos principais interessados!  A nossa capacidade de olhar para o que eles fazem, torna-se um verdadeiro obstáculo à valorização de cada exploração, de cada ...

Fomos felizes a brincar na rua, mas não deixamos que eles o sejam!

Imagem
Os dias frios têm feito com que, milhares de crianças, fiquem enclausuradas em espaços fechados, sem ar fresco a correr, sem ar puro para respirar, sem ar do exterior. Respiram, apenas, o ar quente da sala, aquecido pelos aquecedores que aquecem, de forma ensurdecedora, a sala.   O recreio do exterior permanece vazio. Os agasalhos e as camadas de roupas acompanham os pequenos, de tal forma, que por vezes até dificulta os movimentos e as atividades que desenvolvem.  Os avisos dos pais não param! Não se permite que as crianças andem na rua, que sintam o frio, que brinquem no espaço exterior. Apesar de virem prevenidos com casacos, cachecóis, luvas, gorros,… não é permitida a exploração ao ar livre, não é permitido sentir o frio, a geada, ou, em algumas situações, a neve. Fecham-se entre quatro paredes e, ali, desenvolvem as suas atividades, assim como acontece todo o ano, esteja sol, chuva, ou frio… Por que razão não se aproveita o espaço exterior em qualqu...