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Quando o “não consigo” é barreira.

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Diariamente, esta expressão, não consigo, deve ser aquela que mais escutamos, aquela que dizem sem pensar, fruto de insegurança e de uma exigência desmedida e fora do seu alcance. O que promovemos, que comportamentos exigimos, que pensamento estamos a criar? Tem sido recorrente, ao longo dos anos, a fragilidade dos pequenos se notar através de expressões que denotam uma baixa autoestima, uma dificuldade enorme em reconhecer as suas potencialidades e as suas capacidades. Esta expressão que, aparentemente, soa a não tentar, leva a uma reflexão ainda mais profunda. Numa sociedade de competição, em que todos têm de ser os melhores, as responsabilidades que se colocam nos seus pequenos ombros, elevam a inconsciência das suas capacidades, tornando-os seres inseguros, incapazes de ousar, ou sequer, de construir uma opinião fundamentada. A nossa forma de ação deve ser de encorajamento, deve ser de estabelecer pontes entre o que são e o que conseguem, atribuindo um significado fundament...

Eles não podem passar a vida a desenhar pandas. E as letras?

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Se ainda agora estávamos a iniciar o 3º período, já vemos o fim do ano a aproximar-se a passos largos e…. tanto ficou por fazer. O sentimento que nos começa a invadir, de não se ter concretizado tudo o que queríamos, leva-nos a entrar numa batalha contra o tempo, em que as prioridades se vão centrando no que se vai enviar para casa, nas vivências que se queriam proporcionar e não se criaram, basicamente, nos planeamentos centrados no adulto e não nas crianças. Mesmo que, tenham surgido propostas das crianças que nem sempre se tornam de fácil concretização, temos de saber reconhecer quais os caminhos que devemos seguir: aqueles que mantêm o interesse dos mais pequenos ou aqueles que consideramos pertinentes. No fundo, todos são pertinentes, mas nem todos os têm como o centro. Este envolvimento claro, leva-nos a criar formas de estar nas nossas práticas que tendem a valorizar os espaços, não como cenários de aprendizagem, mas como pistas de corrida para alcançar o desejado final de ano c...

Paredes museu: paredes intocáveis, paredes que não falam.

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As paredes falam, diz-se por aí. E, ao se fazer tal afirmação, é possível observar no espelho que se tornam das práticas que se assumem nas salas de Educação de Infância. De facto, estas paredes museu não falam, não revelam os interesses das crianças, as suas dificuldades ultrapassadas e não se permite que sejam tocadas. São paredes de ouro, apenas para serem observadas, admiradas pelo brilho que ilumina o ego dos adultos. Refletir nas paredes museu , é refletir no que se pretende transmitir quando se entra numa sala. De facto, essas paredes tornam-se mudas, ou melhor, tornam o ser participativo das crianças mudo, ignorado pelo embelezamento e pelo encanto dos adultos em tornar aqueles expositores obras de arte pensadas pelos adultos, concretizadas, na maioria, pelos adultos e, por vezes, até corrigidas pelos adultos. O que se valoriza afinal? Paredes cheias…. de nada. Que respeito temos pelas crianças que estão à nossa frente? Nenhum. Qual é o valor que as paredes museu...

Mãe, é agora que podes brincar?

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Estar presente, como temos estado, não é sinal de disponibilidade e de presença para o que realmente queremos. Entramos numa fase de apostas, todos dizem o que acham, o que consideram pertinente, e opinem sem sequer conhecer a educação. Entramos nas casas de cada aluno, todos os dias, mas confirmamos que o confinamento traz inúmeras desvantagens. Ainda assim, continuamos a promover momentos que se tornam completamente afastados das famílias, completamente afastados das crianças. Tivemos oportunidade de as conhecer até ao momento em que entramos, novamente, em confinamento. Mas a ânsia de não os querer largar, faz-nos esquecer as verdadeiras prioridades. Em casa, os pais estão sujeitos a pressões, de tal forma, que se tornam verdadeiros malabaristas na gestão do tempo familiar e profissional. A família não pode ficar para segundo lugar, o trabalho não pode deixar de ser feito. Mas ainda assim, e tendo como exemplo o primeiro confinamento, insistimos em preencher os tempos familiares, em...

O plano para hoje? Ninguém fica para trás.

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Hoje sou eu e o computador. Sinto-me um pouco ansioso por toda esta situação. A hora da dita reunião está-se a aproximar, a educação feita nestes moldes nunca foi o meu forte, nunca foi a minha forma de olhar para a Educação de Infância. Mas é, ainda assim, a educação que me pedem para fazer hoje. Aceitei o desafio. Não estava habituado a estas plataformas, mas tive, de um momento para o outro, de as tornar uma ferramenta fundamental para minimizar a distância que sinto para com as crianças. Estas pontes são necessárias para lhes chegarmos, estes meios que dizem ser as novas tecnologias, deixam de ser novas e tornam-se usuais, porque não há nada como não tentar, como não experimentar. Pediram-me mudança, estou empenhado em mudar, mas mais do que mudar, em me adaptar. Mas este receio parece que me prende a algo que não sei o que é, talvez o medo, o medo de falhar, o medo de não conseguir chegar a todos aqueles que estão à minha responsabilidade, ainda assim, darei o meu melhor. Os pedid...

Não leiam, porque já não é atual!

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No meu tempo tudo era diferente.  À hora marcada todos chegavam e deixavam os casacos e os pertences nos cabides à entrada da sala. Em silêncio entrávamos na sala, de modo a que o dia começasse tranquilo, sem interrupções e/ou choros.  O quadro de ardósia tinha a data escrita a giz branco, com a letra manuscrita, desenhada de um modo cuidado pelo Professor. O exemplo tinha de ser perfeito. Junto ao quadro, um estrado em madeira gasta, ajudava-nos a subir para melhor desempenharmos o que nos era pedido. Ao lado deste quadro o Mapa de Portugal aparentava estar velho, mas as cores sumidas, ainda nos permitia distinguir tudo o que ele continha.  Ao fundo da sala, estava a cana que acompanhava quase toda a altura da parede, desde o chão até ao teto. E em algumas vezes nos afagou a cabeça, e por vezes até as mãos. Nesses momentos fazíamo-nos fortes para que as lágrimas não nos corressem pelas faces, assim não seríamos alvo de chacota infantil.   Falar enquanto o Profe...

Vamos ser (educadores) influencers?

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Os tempos não têm sido fáceis.  Andamos cansados e fartos de utilizar máscaras, de viver distanciados e preocupados com o nosso futuro. Mas, mais do que com o nosso futuro, andamos preocupados com o futuro dos mais pequenos que estão a viver uma infância completamente diferente daquela que seria de esperar. É certo que vamos reconhecendo que estes pequenos são seres capazes de criar, de se envolver, de se interessarem pelo seu crescimento e pelas aprendizagens que vão surgindo. São interessados em desenvolver as suas brincadeiras, de construir planos mentais e torná-los reais!  Mas, onde ficamos nós no meio tudo isto?  As práticas (enquanto educadores, professores) tenderam a valorizar o espaço exterior, tenderam a reconhecer, ou não, as suas potencialidades e quase se tornaram moda. Embora seja uma moda com muito sentido, não poderemos deixar de refletir nas oportunidades que continuamos obrigados a proporcionar, mesmo além portas. Não nos podemos limitar a seguir um reb...

Semana de S. Martinho, alguém tem ideias??

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  Estamos perto do S. Martinho e hoje, decidi ir pesquisar que atividades poderei fazer ao longo desta semana. Achei que seria uma boa semana para manter esta temática, e tenho de me organizar, de tal forma que a planificação terá de girar em torno desta tradição Abri o Dr. Google e não me surgiram atividades, daquelas prontas a consumir, que me agradassem. Parti então para o Facebook e apenas questionei, ideias para o S. Martinho, alguém tem? Começaram a chover mensagens com sugestões, com críticas, com tudo aquilo que possam imaginar, eu só queria proporcionar momentos únicos para o grupo que tenho diariamente. E, para esta semana, achei que seria pertinente abordar o S. Martinho, tal como deve estar a acontecer em todos os jardins-de-infância e creches deste país. Só queria uma ideia, aliás, uma não, pelo menos 5, de modo a que me preenchessem a semana. Assim, conseguiria facilmente preencher a semana, mantinha-os ocupados e abordava o S. Martinho e tudo o que dele advém. Mas de...

Tanto há a aprender com a Educação de Infância

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Já pararam para pensar e para observar a educação de infância? Já se dignaram a experimentar a refletir acerca da prática e da valorização da infância? Já experimentaram compreender a educação de infância e torná-la prática noutras disciplinas ou noutros grupos de docência? Provavelmente, não.  Seria tão importante que reconhecessem a importância da educação de infância, seria fundamental reconhecer as práticas como uma potencialidade de trabalho que responde às necessidades e adequações necessárias de cada criança… “No pré-escolar estão sempre a brincar e não se podem esquecer, não há currículos e programas a seguir!” Mas que grande verdade, a educação pré-escolar, ainda, não tem um currículo definido como nos restantes ciclos (felizmente!). É mais fácil? Pelo contrário, os educadores tornam-se verdadeiros observadores do grupo que têm à sua responsabilidade, estabelecem prioridades que tendem a responder às necessidades específicas de cada criança, tornand...

Não os proíbam de brincar, mas não sujem o cabelo e a roupa!

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A temática do brincar tem sido algo bastante debatido. Associar o brincar ao espaço exterior torna-se uma ligação frequente em links partilhados, em imagens cheias de expressão, em frases cheias de sentimento, em práticas a saltar para fora da caixa.  São esforços, tantas vezes, desvalorizados, para se tentar mostrar que a rua se torna uma verdadeira companhia de brincadeira.   Mas, artigo após artigo, vamos repetindo argumentos com a esperança de que todos valorizem o brincar, de que todos valorizem o trepar árvores, o cair, o sujar e tantas outras experiências.  Cai em saco roto.  As práticas tornam-se desafiantes, ou pelo menos, partilha após partilha, leitura após leitura (quando nos damos ao trabalho de ler além do título) encorajamo-nos a mudar... movemo-nos pela mudança e, por escassos segundos, começamos a potenciar o espaço exterior e a projetar ideias e formas de levar os mais pequenos a aproveitar o espaço... ideias que se perdem e que...