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Ser educador de infância/professor que inspira os seus alunos

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O tempo que se avizinha é, em tudo, semelhante ao que já vivemos no ano passado. O teletrabalho ganha, novamente, maior força. As famílias passam mais horas juntas e passam a partilhar o mesmo espaço durante mais tempo. As crianças, mais dependentes, permanecem junto dos seus cuidadores, dos pais, com a necessidade de maior atenção. Os níveis de stress aumenta nos pais, por não conseguirem realizar o seu trabalho como deveriam. As crianças ficam demasiado ansiosas, as chamadas de atenção tornam-se constantes e as birras mais frequentes. Torna-se o reviver de um cenário e de um guião que parece que já foi escrito e que nos limitamos a repeti-lo. As escolas fecharam e mesmo à distância, há laços que não se podem perder, há relações que não podem desvanecer. Centremo-nos no que importa, ultrapassar este cenário da melhor forma, olhando para ele de um modo positivo e com a responsabilidade merecida. Vamos olhar para a nossa responsabilidade civil como um modo de agir e não se sermos negaci...

Não leiam, porque já não é atual!

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No meu tempo tudo era diferente.  À hora marcada todos chegavam e deixavam os casacos e os pertences nos cabides à entrada da sala. Em silêncio entrávamos na sala, de modo a que o dia começasse tranquilo, sem interrupções e/ou choros.  O quadro de ardósia tinha a data escrita a giz branco, com a letra manuscrita, desenhada de um modo cuidado pelo Professor. O exemplo tinha de ser perfeito. Junto ao quadro, um estrado em madeira gasta, ajudava-nos a subir para melhor desempenharmos o que nos era pedido. Ao lado deste quadro o Mapa de Portugal aparentava estar velho, mas as cores sumidas, ainda nos permitia distinguir tudo o que ele continha.  Ao fundo da sala, estava a cana que acompanhava quase toda a altura da parede, desde o chão até ao teto. E em algumas vezes nos afagou a cabeça, e por vezes até as mãos. Nesses momentos fazíamo-nos fortes para que as lágrimas não nos corressem pelas faces, assim não seríamos alvo de chacota infantil.   Falar enquanto o Profe...

A Educação pré-escolar já terminou, agora vem a escola a sério!

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Depois de estarmos tanto tempo em casa, já tinha saudades dos meus amigos e dos adultos da minha sala! Quando regressei, estava tão contente, porque finalmente iria poder brincar novamente com todos eles, podia fazer trabalhos, podia brincar na sala e na rua. E sabes, quando fui para a escola, primeiro, achei um bocadinho estranho, porque todos os adultos estavam com máscaras e escondiam aquilo que eu mais gostava de ver, o sorriso, que era o que me fazia voltar todos os dias. Mas olhava para os olhos e percebi como estavam felizes por nos verem. No início quase nem me tocavam porque todos tínhamos medo, diziam na televisão que tínhamos de estar afastados, e os meus pais avisaram-me em casa, tens de brincar sozinho, e não podes tocar em ninguém . Eu bem tentei, mas como é que isso seria possível? Brincámos tanto! Enquanto brincávamos, divertimo-nos tanto, fizemos construções, corridas, subimos às árvores. Aproveitámos a rua mais do que nos outros dias. Soube tão bem! ...

Caramba, isto não é Educação de Infância!

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Mudança. adaptação, renovação, reflexão, novas práticas.  Os tempos levam-nos a mudar, levam-nos a adaptar as nossas práticas a novas necessidades. No fundo, tornamo-nos educadores à distância, se é que assim o poderemos dizer. E, reconhecendo esta mudança, quanto esforço temos feito para que se torne possível chegar a todos.  De olhos vidrados nos ecrãs, mudamos os cenários que estavamos habituados a ter, tornando-os sem afeto, sem proximidade, sem toque, sem abraço, sem beijos e, por muito estranho que isto nos soe, mantemos o foco, ser educadores de infância.  O nosso foco de trabalho continua a ser cada criança, continuamos a querer o bem-estar de todos, planeamos, de igual forma, as atividades para que lhes cheguem propostas, oportunidades pedagógicas, pensadas e de crescimento para cada um e não para um grupo. No entanto, e à distância, depressa esquecemos as nossas máximas: o superior interesse da criança, a escuta ativa, respeito pelos interesses da...

Vais mudar de escolinha, tens de (...) aprender a (...) escrever as letras...

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Ao chegar ao último ano da Educação Pré-escolar surgem, também, as ansiedades de quem acompanha os pequenos. Sabendo que, parte do grupo é designado como finalista, tudo se começa a preparar nesse sentido: O que fazer na festa de final de ano, que música, que diplomas, que cartolas escolher, o que valorizar nas atividades que se preparam, que competências têm de estar consolidadas, uma panóplia de questões que fazem girar todo o trabalho em torno desta temática, ser finalista! No entanto, ao responder a todas as questões a passagem para o 1º ciclo prevê-se tranquila e, assim, jamais será posto em causa o bom nome do educador. A terminologia finalista impõe-se de tal forma que, até as crianças mais novas começam a fazer contas à vida para saber quando serão eles os finalistas, tal é a imposição e valorização do termo no dia a dia. E para quê? As atividades começam a girar na preparação desta transição e, mesmo que não se queira, há a necessidade de trabalhar as letras, os n...

Que se faça um minuto de silêncio, em memória da educação

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Apesar do frio ter voltado, a rua continua a ser um ótimo espaço de brincadeira. O céu mantém-se azul, as nuvens correm perdidas pelo céu e, sem se aperceberem, por cima das cabeças pairam nuvens cheias de imaginação e criatividade.  Já alguma vez se deitaram no chão a olhar as nuvens a imaginar a que forma se assemelham?  Sem material preparado, só o chão como suporte e o céu como limite, cria-se uma oportunidade de brincar com a mente, de fazer cócegas à imaginação, de libertar a criatividade.  Deitados, ou em pé, cada um imagina e cria como quer, como lhe apetece, como necessita.  Soa, simplesmente, a um momento de tranquilidade, de equilíbrio, de relaxamento, de atenção e concentração, com tantas outras competências possíveis de explorar,... Deitem-se e olhem o céu.  Quantos de nós, saem do seu alto pedestal e se deitam junto deles, no chão? Quantos abandonam uma figura vertical e se tornam exemplos de diversidade, de criação, imagin...

Como posso incentivá-lo, quando me diz que a escola é uma seca?

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Hoje, em conversa com uma amiga, uma mãe preocupada com o início da escola, falava-me de como tinha sido o ano anterior do filho e das dificuldades que tinha sentido e ainda sentia. Pela conversa, fomos entrando sala de 1º ciclo dentro, e a nossa imaginação, começava a viajar no tempo, comparando com o nosso tempo: existia brincadeira, com os recreios em terra batida, chão solto, montes de areia, árvores para trepar, pedras para atirar e tudo o que nos permitia ter boas experiências, que nos faziam ir para casa sujos, de   calças rotas, arranhados, feridos e com marcas para a vida… Marcas positivas, entenda-se!  Continuamos a conversa, e a preocupação segue no sentido dos tempos demasiado preenchidos, nos tempos que não permitem que brinquem, nos tempos que não os permitem ser crianças. Falávamos na organização do currículo, da necessidade de concluir o programa a todo o custo, deixando, tantas vezes, de parte o interesse das crianças, a vontade de aprender...