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Que se faça um minuto de silêncio, em memória da educação

Apesar do frio ter voltado, a rua continua a ser um ótimo espaço de brincadeira. O céu mantém-se azul, as nuvens correm perdidas pelo céu e, sem se aperceberem, por cima das cabeças pairam nuvens cheias de imaginação e criatividade. 
Já alguma vez se deitaram no chão a olhar as nuvens a imaginar a que forma se assemelham? 
Sem material preparado, só o chão como suporte e o céu como limite, cria-se uma oportunidade de brincar com a mente, de fazer cócegas à imaginação, de libertar a criatividade.  Deitados, ou em pé, cada um imagina e cria como quer, como lhe apetece, como necessita. 
Soa, simplesmente, a um momento de tranquilidade, de equilíbrio, de relaxamento, de atenção e concentração, com tantas outras competências possíveis de explorar,...
Deitem-se e olhem o céu. 
Quantos de nós, saem do seu alto pedestal e se deitam junto deles, no chão? Quantos abandonam uma figura vertical e se tornam exemplos de diversidade, de criação, imaginação e liberdade? Se nós não o fazemos, se nós não o d…

"Um pau não serve para nada!

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O toque da campainha poderia indicar a saída para o parque, mas já o toque soava, quando todos estavam na rua. As restantes turmas do 1º ciclo, perfilam-se e aguardam que chegue quem os encaminhe para as salas. O pré-escolar continua a aventurar-se naquele parque, cheio de árvores, de terra e de paus.
Ausentes de qualquer formalidade escolar, afastados das mesas e das cadeiras, constroem conhecimentos, valorizados por quem os acompanha. As sombras das árvores são as companheiras de brincadeira, as árvores permitem que, entusiasmados, sujem as roupas, os sapatos e as mãos e, o que se pretendia que fosse apenas um recreio, tornou-se um espaço sem limites de exploração, diversão, brincadeira e de socialização. Quanta aventura vai surgindo, construída pelas mãos dos mais pequenos, quantos desafios, quantos problemas, quantos erros lhes surgiram, além disso, quantas soluções foram eles capazes de encontrar!
Ao longo do parque agrupam-se de forma espontânea, consoante os interesses que revel…

Apressem-se, a escola está a terminar e, ainda, não aprenderam a brincar

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Já repararam como o ano não tarda a terminar?  Já repararam como se tornou incrível, a forma como o tempo passou a correr?  Pelo caminho ficaram tantos projetos, tantas atividades que gostaríamos de ter feito… 
Mas calma, ainda faltam uns meses para terminar, por isso, há, ainda, muito a fazer!
As pastas tem de seguir cheias para casa, com todo o trabalho, esforçado, das crianças. As paredes ainda não estão suficientemente preenchidas, e os projetos que foram definidos no início do ano, ou até mesmo antes deste arrancar, ainda nem sequer foram concluídos. 
Por isso, há ainda tanto a fazer.  Os arraiais começam-se a preparar e as crianças tornam-se marionetas de um espetáculo que pretende mostrar o trabalho desenvolvido ao longo do ano, ou então não. Empenhados, (des)motivados, e repetição após repetição, ensaiam direitinho  e realizam rigorosamente, desajeitados, os passos que lhes são ordenados. 
Mas o tempo está a passar e, além da festa, as prendas de final de ano tem de ser feitas, as ca…

Crianças a meio tempo... filhos a meio tempo!

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Crianças a meio tempo, é um termo, cada vez mais, utilizado nos dias de hoje. É um termo este que se vai atualizando conforme as necessidades das famílias, das necessidades curriculares, das necessidades que refletem uma vontade de mudança social, baseada no sucesso e nos resultados, baseada nas decisões tomadas pelos ministérios, afastados das práticas e, tantas vezes, das necessidades reais dos alunos de hoje.
As preocupações centram-se nos interesses  dos adultos, afastados das realidades infantis, afastados dos propósitos da educação de infância, das verdadeiras necessidades da infância. São crianças a meio tempo envolvidas em todas as atividades que lhes preenche o tempo preciso, atividades que os afastam da sua atividade preferida, brincar.
As crianças a meio tempo são crianças que permanecem, eternamente, na escola, sem férias, sem tempo em família. São crianças prisioneiras de uma escolarização, em muitos casos, precoce, prisioneiras da falta de compreensão dos pais, dos assis…

1 ano a respirar reflexão, partilha e provocação!

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1 ano.

Há um ano atrás a caixa nasceu, cheia de nada, vazia, sem qualquer palavra, reflexão, partilha ou provocação. Nasceu a caixa, cheia de nada, nasceu mesmo sem saber que rumo levaria.
1 ano de partilhas, de pequenas palavras que revelam, acima de tudo, a valorização das crianças, a valorização do brincar.
1 ano de reflexões que, não são mais, do que inquietações que foram sendo sentidas ao longo do tempo. Inquietações estas, que levaram a pensar na forma de as mudar, no modo como a nossa prática poderá seguir ao encontro dos mais pequenos. São reflexões que fazem parte da prática de cada, da vida diária de professor. Reflexões que nos fazem mexer e ser mexidos, que nos fazem mudar, ou não. Quantas reflexões nos fazem sair da zona de conforto e estabelecer as novas metas, limites e abrir os nossos horizontes?
A caixa abriu-se e tornou-se de cheia de nada, para uma caixa cheia de tudo o que haveria para a encher.
Afinal, ao fim de 1 ano, pela caixa faz-se o que faz parte da nossa pers…

Ressuscitem (a educação) e vistam as novas vestes de mudança!

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E, ressuscitou ao terceiro dia… Assim nos dizem ao longo dos tempos.

É Páscoa, e após tanta preparação, após uma caminhada longa pelas quintas, em que, se foram realizando recolha de coelhos, galinhas, ovos e cenouras, eis que ressuscitamos. Estão livres…
Deixamos as vestes para trás, ou tentamos, pois, viajamos ao longo do tempo e vemos tudo igual, o estado da educação não muda. Posto isto, crucifiquemo-nos!
Sacrifiquemo-nos por este caminho que leva tantos fiéis a seguir o que dizemos, sem sequer ouvirmos o que cada um tem para dizer,
Carreguemos as cruzes que ao longo do tempo nos fizeram caminhar de estação em estação, sem sequer olhar para as necessidades de quem estava a nosso cargo.
Prostemo-nos e sintamos a páscoa como tempo de mudança, de ressurreição, em que, deixamos de olhar para a educação (de infância) como algo que pertence aos adultos, mas desafiemo-nos a olhar para a educação, como um mundo fabuloso, cheio de sonhos, desejos, interesses, possibilidades, oportunidades, n…

Professores: (não) sejam acorrentados pelo vosso medo!

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Não existem professores perfeitos, não existe uma educação perfeita.
Se buscam a educação que torna todos como alunos de sucesso, parem já!
Se procuram pedagogias únicas que abranjam todos os alunos e vos deem todas as respostas, não continuem...
Se procuram professores preocupados com os alunos... Continuem a procurar, porque eles existem. 
Se procuram professores empenhados, motivados e que acreditam na educação, não desistam porque ainda existem professores fora da caixa.
Os professores fora da caixa lutam contra um sistema implementado durante décadas, implementado socialmente, que visa o aluno ideal, perfeito e sem qualquer dificuldade. 
Se procuram uma escola inclusiva, continuem, mais cedo ou mais tarde ela existirá. 
Se procuram um Ministério que valoriza os profissionais da educação, que acredita no potencial de cada um, que acredita na diversidade e no interesse dos alunos, continuem a procurar, talvez noutro país o poderão encontrar…
Se procuram professores unidos e preocupados pel…

Ser educador é isto...

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Ser educador é isto... 

É subir a árvores e desafiarmo-nos a sair da zona de conforto, levá-los a seguir-nos e a desafiarem os seus medos ultrapassando-os de forma orgulhosa.

Ser educador é isto... é ter que te descalçares para mostrar que a relva não pica, não morde, e que esse momento se torna uma experiência. 

Ser educador é isto... é adormecer e acordar a pensar nos problemas que os 25 catraios, que estão à nossa responsabilidade, tem e pensar em estratégias para os ajudar.

Ser educador é isto... é envolveres-te em 1001 brincadeiras diárias,  dividires-te de forma a que te tornes presente com cada um.

Ser educador é isto... é deitares-te no chão e seres completamente absorvido por abraços, por beijos tendo como música de fundo os risos de todos os que não te deixam levantar.

Ser educador é isto... é criar relações de amizade, de tal forma fortes, que te chamam mãe, pai durante o dia.

Ser educador é isto... é abrires o coração à relação e transmitires, através do exemplo, o sentimento e a…

Os pés calçados e suados suspiravam pela liberdade, e assim foi.

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A relva estava tão verde que brilhava ao sol. 
Os pés calçados e suados suspiravam pela liberdade, e assim foi... 
“Querem fazer uma experiência?Tirem os sapatos, tirem as meias, podem andar descalços na relva.” 
O olhar espantado e o sentimento de fazerem algo que poderá ser proibido, levou-os a hesitar. Sentados no pequeno muro, olham atentamente à espera de novas indicações... 
“Descalcem-se e sintam a relva, o chão...” “Não posso tirar os sapatos, a mãe não deixa”  Diz um deles a justificar essa resistência.
Após o encorajamento para andarem descalços, o choro surge com o receio de sentir a relva nos pés. O choro surge como resistência ao toque da relva, da terra, aos bichos minúsculos que por ali se passeiam. Olham para a terra, para a relva, como algo que nunca sentiram, como algo em que nunca tocaram. E, apesar de estarem todos os dias naquele arvoredo, receiam em lhe tocar, receiam em senti-lo. 
Quão protegidos se tornaram, se por tocarem a relva e a terra com os pés, recorrem ao cho…