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Uma semana depois do regresso…

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Uma semana depois do regresso… A ansiedade para regressar, sentida por pais, por educadores e, talvez, por crianças era muita. A necessidade de voltar a uma suposta normalidade, à escola, às relações, aos afetos escolares, às aprendizagens, mas, acima de tudo, a necessidade de voltar a brincar e a promover a atividade física era urgente. Que efeito provocou este confinamento nos mais novos? Que cuidados tivemos, e continuamos a ter, quando os recebemos? O que promover neste regresso? … Eram muitas as questões que nos inquietavam. Eram muitos os anseios e receios vividos, mas o importante, era estarmos conscientes de que teríamos um papel fundamental no regresso, no acolhimento. Segunda-feira, as portas das escolas abriram-se. De mão dada com os pais, aproximavam-se do portão da escola. Os pais, ansiosos, permaneciam no exterior sem poder acompanhar os mais pequenos até à sala. Os abraços foram mais demorados, os beijos não terminavam, mas mesmo assim, tentavam a todo custo transmitir c...

Aos pais... Cumprimentos da fábrica de afetos...

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Recomeçamos. À porta das escolas as filas que se formaram pareciam não ter fim. Protegidos da chuva que caía sem dar tréguas, refrescavam as suas pequenas cabeças que ali esperavam, ansiosamente a sua vez para entrar nas designadas, por alguns, fábricas de encomendas.  Todos estão a sentir, ora a ansiedade, ora o receio, ora a esperança de que, tudo isto presente neste novo modo de vida, passe depressa e possamos voltar a acompanhar as crianças até à sala e se consiga entregar as encomendas de uma forma plena e harmoniosa. Do interior, os empregados fabris, de tais fábricas de encomendas, esperam ansiosamente a chega das pequenas encomendas. O espaço está preparado, os procedimentos são revistos mentalmente, e mesmo sabendo que a lista é interminável, a consciência de que tudo se fará, para que as encomendas fiquem bem, é o que se mantém presente.  O ponteiro parece não andar e a ansiedade aumenta a respiração, que está impedida de decorrer de um modo livre pela máscara que e...

Esses anjos, vestidos de gente

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Se algum dia alguém vos dissesse, “são anjos vestidos de gente”, saberíamos a quem se referiam? Certamente que não relacionaríamos logo a quem, ou a quê, e ficaríamos intrigados a quem fariam tal comparação. De facto, quem o diz, di-lo com o coração, lê cada alma, cada vida, cada vivência e experiência. Lê e faz a leitura pelo crescimento dos que estão à sua volta e, de lágrimas no rosto, entrega mesmo sem saber que rumo tomarão esses ditos anjos. A esses anjos que se esforçam para acompanhar cada tarefa, cada passo, cada abraço, cada sentimento, cada um, são anjos, dizem, porque esses anjos, não vestem asas, não voam, mas fazem voar, fazem sentir, fazem crescer e crescem com eles. Esses anjos são, esses anjos sentem, esses anjos vivem, esses anjos constroem, esses anjos… quem serão? O agradecimento ganha corpo, voz, olhar, sentir, ganha o encanto que ninguém consegue pintar, torna-se uma tela de cores, com tintas tão raras, puras e sentidas, tintas que não se vendem em ...

No dia em que a terra (e a escola) recomeçou…

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No dia em que a terra parou, os barcos deixaram de navegar, os carros deixaram de andar, os aviões deixaram de voar. Neste dia, os animais ganharam o seu espaço, a natureza foi encontrando o equilíbrio que necessitava e nós, tornamo-nos prisioneiros nas jaulas que, nós mesmos, contruímos.  No dia em que a terra parou, tiraram-nos os abraços, o toque e o sentir. Isolaram-nos separadamente de todos aqueles de quem gostamos, obrigaram-nos a estar afastados, no entanto, reinventamo-nos neste novo viver.  No dia em que a terra parou, reclamamos que os risos das crianças deixaram de se ouvir, que a rua deixou de ter o movimento que estávamos habituados a ver, que os parques infantis ficaram vazios e sem crianças a brincar, a imaginar e a criar. Queixámo-nos dessa liberdade que nunca reconhecemos e, mesmo sem valorizar o espaço exterior que as crianças insistiam em utilizar, reclamamos pela sua devolução. No entanto, antes de todo o confinamento, nem sequer o aproveita...