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Eles não podem passar a vida a desenhar pandas. E as letras?

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Se ainda agora estávamos a iniciar o 3º período, já vemos o fim do ano a aproximar-se a passos largos e…. tanto ficou por fazer. O sentimento que nos começa a invadir, de não se ter concretizado tudo o que queríamos, leva-nos a entrar numa batalha contra o tempo, em que as prioridades se vão centrando no que se vai enviar para casa, nas vivências que se queriam proporcionar e não se criaram, basicamente, nos planeamentos centrados no adulto e não nas crianças. Mesmo que, tenham surgido propostas das crianças que nem sempre se tornam de fácil concretização, temos de saber reconhecer quais os caminhos que devemos seguir: aqueles que mantêm o interesse dos mais pequenos ou aqueles que consideramos pertinentes. No fundo, todos são pertinentes, mas nem todos os têm como o centro. Este envolvimento claro, leva-nos a criar formas de estar nas nossas práticas que tendem a valorizar os espaços, não como cenários de aprendizagem, mas como pistas de corrida para alcançar o desejado final de ano c...

Não leiam, porque já não é atual!

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No meu tempo tudo era diferente.  À hora marcada todos chegavam e deixavam os casacos e os pertences nos cabides à entrada da sala. Em silêncio entrávamos na sala, de modo a que o dia começasse tranquilo, sem interrupções e/ou choros.  O quadro de ardósia tinha a data escrita a giz branco, com a letra manuscrita, desenhada de um modo cuidado pelo Professor. O exemplo tinha de ser perfeito. Junto ao quadro, um estrado em madeira gasta, ajudava-nos a subir para melhor desempenharmos o que nos era pedido. Ao lado deste quadro o Mapa de Portugal aparentava estar velho, mas as cores sumidas, ainda nos permitia distinguir tudo o que ele continha.  Ao fundo da sala, estava a cana que acompanhava quase toda a altura da parede, desde o chão até ao teto. E em algumas vezes nos afagou a cabeça, e por vezes até as mãos. Nesses momentos fazíamo-nos fortes para que as lágrimas não nos corressem pelas faces, assim não seríamos alvo de chacota infantil.   Falar enquanto o Profe...

Vamos ser (educadores) influencers?

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Os tempos não têm sido fáceis.  Andamos cansados e fartos de utilizar máscaras, de viver distanciados e preocupados com o nosso futuro. Mas, mais do que com o nosso futuro, andamos preocupados com o futuro dos mais pequenos que estão a viver uma infância completamente diferente daquela que seria de esperar. É certo que vamos reconhecendo que estes pequenos são seres capazes de criar, de se envolver, de se interessarem pelo seu crescimento e pelas aprendizagens que vão surgindo. São interessados em desenvolver as suas brincadeiras, de construir planos mentais e torná-los reais!  Mas, onde ficamos nós no meio tudo isto?  As práticas (enquanto educadores, professores) tenderam a valorizar o espaço exterior, tenderam a reconhecer, ou não, as suas potencialidades e quase se tornaram moda. Embora seja uma moda com muito sentido, não poderemos deixar de refletir nas oportunidades que continuamos obrigados a proporcionar, mesmo além portas. Não nos podemos limitar a seguir um reb...

Aos pais... Cumprimentos da fábrica de afetos...

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Recomeçamos. À porta das escolas as filas que se formaram pareciam não ter fim. Protegidos da chuva que caía sem dar tréguas, refrescavam as suas pequenas cabeças que ali esperavam, ansiosamente a sua vez para entrar nas designadas, por alguns, fábricas de encomendas.  Todos estão a sentir, ora a ansiedade, ora o receio, ora a esperança de que, tudo isto presente neste novo modo de vida, passe depressa e possamos voltar a acompanhar as crianças até à sala e se consiga entregar as encomendas de uma forma plena e harmoniosa. Do interior, os empregados fabris, de tais fábricas de encomendas, esperam ansiosamente a chega das pequenas encomendas. O espaço está preparado, os procedimentos são revistos mentalmente, e mesmo sabendo que a lista é interminável, a consciência de que tudo se fará, para que as encomendas fiquem bem, é o que se mantém presente.  O ponteiro parece não andar e a ansiedade aumenta a respiração, que está impedida de decorrer de um modo livre pela máscara que e...

A Educação pré-escolar já terminou, agora vem a escola a sério!

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Depois de estarmos tanto tempo em casa, já tinha saudades dos meus amigos e dos adultos da minha sala! Quando regressei, estava tão contente, porque finalmente iria poder brincar novamente com todos eles, podia fazer trabalhos, podia brincar na sala e na rua. E sabes, quando fui para a escola, primeiro, achei um bocadinho estranho, porque todos os adultos estavam com máscaras e escondiam aquilo que eu mais gostava de ver, o sorriso, que era o que me fazia voltar todos os dias. Mas olhava para os olhos e percebi como estavam felizes por nos verem. No início quase nem me tocavam porque todos tínhamos medo, diziam na televisão que tínhamos de estar afastados, e os meus pais avisaram-me em casa, tens de brincar sozinho, e não podes tocar em ninguém . Eu bem tentei, mas como é que isso seria possível? Brincámos tanto! Enquanto brincávamos, divertimo-nos tanto, fizemos construções, corridas, subimos às árvores. Aproveitámos a rua mais do que nos outros dias. Soube tão bem! ...

Esses anjos, vestidos de gente

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Se algum dia alguém vos dissesse, “são anjos vestidos de gente”, saberíamos a quem se referiam? Certamente que não relacionaríamos logo a quem, ou a quê, e ficaríamos intrigados a quem fariam tal comparação. De facto, quem o diz, di-lo com o coração, lê cada alma, cada vida, cada vivência e experiência. Lê e faz a leitura pelo crescimento dos que estão à sua volta e, de lágrimas no rosto, entrega mesmo sem saber que rumo tomarão esses ditos anjos. A esses anjos que se esforçam para acompanhar cada tarefa, cada passo, cada abraço, cada sentimento, cada um, são anjos, dizem, porque esses anjos, não vestem asas, não voam, mas fazem voar, fazem sentir, fazem crescer e crescem com eles. Esses anjos são, esses anjos sentem, esses anjos vivem, esses anjos constroem, esses anjos… quem serão? O agradecimento ganha corpo, voz, olhar, sentir, ganha o encanto que ninguém consegue pintar, torna-se uma tela de cores, com tintas tão raras, puras e sentidas, tintas que não se vendem em ...

Na escola (quase) todo o espaço natural está vedado

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As escolas voltaram a ter vida, sorrisos e risos. As equipas regressaram cheias de esperança de que tudo passará e que as crianças que receberão, tornarão os seus dias mais felizes e, os adultos, permitirão que as crianças tornem cada dia especial, um dia de oportunidades.  Aconselhados pela DGS a rua vai tomando o seu lugar de destaque, vão se definindo momentos nos espaços exteriores, momentos que andaram esquecidos pelos tempos.  A rua, mais do que nunca, tornou-se um espaço a valorizar, a explorar e a tornar intencional nas planificações diárias dos adultos.  De facto, com estas mudanças, até que ponto mudamos a nossa forma de olhar para a educação de infância, para os espaços exteriores e, principalmente, para as crianças?  A realidade é que as preocupações escolarizadas se mantiveram: o uso e abuso de fichas tornou-se uma forma de ocupar, mais do que uma forma de se fazer educação, levando a que, por vezes repetidas, se tornassem como verdade...

No dia em que a terra (e a escola) recomeçou…

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No dia em que a terra parou, os barcos deixaram de navegar, os carros deixaram de andar, os aviões deixaram de voar. Neste dia, os animais ganharam o seu espaço, a natureza foi encontrando o equilíbrio que necessitava e nós, tornamo-nos prisioneiros nas jaulas que, nós mesmos, contruímos.  No dia em que a terra parou, tiraram-nos os abraços, o toque e o sentir. Isolaram-nos separadamente de todos aqueles de quem gostamos, obrigaram-nos a estar afastados, no entanto, reinventamo-nos neste novo viver.  No dia em que a terra parou, reclamamos que os risos das crianças deixaram de se ouvir, que a rua deixou de ter o movimento que estávamos habituados a ver, que os parques infantis ficaram vazios e sem crianças a brincar, a imaginar e a criar. Queixámo-nos dessa liberdade que nunca reconhecemos e, mesmo sem valorizar o espaço exterior que as crianças insistiam em utilizar, reclamamos pela sua devolução. No entanto, antes de todo o confinamento, nem sequer o aproveita...

Tanto há a aprender com a Educação de Infância

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Já pararam para pensar e para observar a educação de infância? Já se dignaram a experimentar a refletir acerca da prática e da valorização da infância? Já experimentaram compreender a educação de infância e torná-la prática noutras disciplinas ou noutros grupos de docência? Provavelmente, não.  Seria tão importante que reconhecessem a importância da educação de infância, seria fundamental reconhecer as práticas como uma potencialidade de trabalho que responde às necessidades e adequações necessárias de cada criança… “No pré-escolar estão sempre a brincar e não se podem esquecer, não há currículos e programas a seguir!” Mas que grande verdade, a educação pré-escolar, ainda, não tem um currículo definido como nos restantes ciclos (felizmente!). É mais fácil? Pelo contrário, os educadores tornam-se verdadeiros observadores do grupo que têm à sua responsabilidade, estabelecem prioridades que tendem a responder às necessidades específicas de cada criança, tornand...