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Ainda não entenderam a minha profissão!

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Quando em pequena ouvi falar da profissão, a imagem que tinha dela não era nenhuma, até que entrei para o pré-escolar. Se a educação de infância me era desconhecida, a partir desse momento, mostraram-me o que poderia ser uma aprendizagem assente no brincar, na ousadia, no risco, na criatividade, na representação. O jardim de infância dividia-se em áreas, por diferentes salas, onde podíamos dar largas à imaginação, onde o conceito de brincar era permitido, onde em pares, ou em pequenos grupos, ou até mesmo de forma individual, explorávamos cada canto e construíamos prédios, mercearias e tudo o que a nossa imaginação permitia. A educadora apoiava as brincadeiras que íamos tendo, observava-nos e permitia que nos desafiássemos. Certamente terei me sentado à mesa a fazer recortes e possivelmente algumas fichas. Boas notícias, esses momentos não me ficaram gravados na memória. A sala, mais pequena, vestia-se de tal forma que, quando entravamos nela, imaginávamo-nos numa feira a vender os m...

54, uma realidade ou uma utopia?

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Com a mudança da legislação da Educação Especial a relação entre a família e a escola preveria uma aproximação das mesmas, quer através da comunicação diária, quer através da inclusão dos encarregados de educação no processo educativo. O envolvimento de cada um tornar-se-ia fundamental se a escola fornecesse ferramentas e meios para uma boa inclusão dos alunos que estão abrangidos por tal utopia. Definem-se os parâmetros, definem-se os passos a seguir, mas com esta mudança, os passos são de tal forma desproporcionais, que os passos dados por cada agrupamento, por cada escola, por cada docente varia de acordo com as interpretações realizadas da legislação ambígua e pouco precisa. De facto, os procedimentos efectuados nas diferentes escolas e agrupamentos leva a que sejam feitas leituras diferenciadas da legislação, levando, posteriormente, a uma acção e prática totalmente diferenciada e distinta. Não se pretende com isto dizer que as escolas deveriam agir todas da mesma forma, a...

Hoje acordei e decidi, tentar, ser um bom educador.

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Acordei e enquanto me despachava para ir trabalhar pensei na sorte que tenho, sou Educador de Infância.  Acordei confiante e com o desejo de me tornar num educador melhor do que aquele sou. Decidi que tentarei olhar para cada uma das crianças que se senta, diariamente, à minha frente, à volta da mesa e que tem tanto para me contar, mas que nem sempre tenho a disponibilidade para as escutar. Decidi desafiar-me a ser melhor, a tornar possíveis os seus interesses, a tornar as suas motivações as minhas motivações.  Hoje acordei e decidi, simplesmente, tornar-me num profissional capaz de olhar para estes pequenos como seres capazes de definir trilhos, caminhos a percorrer, decidi investigar o termo de escuta ativa , que tantas vezes ouvi falar, mas que me passou ao lado.  Acordei e decidi tornar cada momento na minha sala, na nossa sala, nosso. Nosso, porque vou tornar real as palavras que se ouvem e se leem tantas vezes, seguir o real interesse das crianças...

Os professores não são mártires, não são marionetas

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A cada ano que passa veem-se as mesmas notícias de jornais que, ciclicamente, surgem com questões bastante pertinentes de reflexão para a infância e para a educação, de um modo geral. Nesses momentos as partilhas das notícias são constantes, os comentários de indignação não param, as discussões elevam-se e, bem lá no fundo, fazem alguém pensar no assunto, nem que seja por meros minutos. A capacidade da sociedade para pensar vai muito além dos jornais, da TV, da Internet, ou, pelo menos, deveria ir. Somos uma sociedade manipulada pelos meios de comunicação que tendem a valorizar opiniões, opiniões provocatórias que provocam reações. O intuito? Apenas um: incomodar quem se dedica diariamente na sua profissão. Não se pretende dizer que os professores são atacados de forma constante, e com isto, torná-los como uns mártires dos meios de comunicação. Muito pelo contrário, vem-se valorizar esta profissão pela forma como se tenta denegrir a imagem dos professores, vem-se mostrar o amor que é n...

Desculpem-nos, mas é tudo uma questão pontual!

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Hoje foi mais um dia de trabalho. À entrada da escola os sorrisos aguardavam-me, os abraços revigoravam-me e enchiam-me da energia que faltava para aguentar mais um dia de trabalho. Na sala de professores o café aquecia-nos antes de entrar na sala. As conversas que existiam rondavam o cansaço docente, as burocracias, a falta de pessoal nas escolas e, mais uma vez, as agressões a professores e a alunos. Opinião após opinião, receios após receios, revelam as preocupações na idade avançada que já levam e, apesar de amarem a profissão que abraçaram, o cansaço começa a tomar-lhes o corpo. Alguém dizia, como me conseguirei aguentar até à idade da reforma se diariamente já tomo 10 comprimidos para conseguir ensinar os alunos? As lágrimas, em alguns casos, tornam-se frequentes, reflexo de cansaço, desprezo e desvalorização pela profissão. Mas toda a conversa, desabafos e anseios são interrompidos pelo soar trémulo da campainha. Levantam-se e carregados das suas malas, das suas...

Tanto há a aprender com a Educação de Infância

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Já pararam para pensar e para observar a educação de infância? Já se dignaram a experimentar a refletir acerca da prática e da valorização da infância? Já experimentaram compreender a educação de infância e torná-la prática noutras disciplinas ou noutros grupos de docência? Provavelmente, não.  Seria tão importante que reconhecessem a importância da educação de infância, seria fundamental reconhecer as práticas como uma potencialidade de trabalho que responde às necessidades e adequações necessárias de cada criança… “No pré-escolar estão sempre a brincar e não se podem esquecer, não há currículos e programas a seguir!” Mas que grande verdade, a educação pré-escolar, ainda, não tem um currículo definido como nos restantes ciclos (felizmente!). É mais fácil? Pelo contrário, os educadores tornam-se verdadeiros observadores do grupo que têm à sua responsabilidade, estabelecem prioridades que tendem a responder às necessidades específicas de cada criança, tornand...

Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado!

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Mas que raio de modas são estas que vão surgindo, em que todos querem mudar a educação? Mas ela não está bem, não??? É assim que se faz a educação, entre quatro paredes. Que moda esta de valorizar a rua, de a ver como um potencial para o desenvolvimento das crianças. Que esta moda que caia em desuso depressa, porque estaremos a criar crianças que não sabem estar em sala... Por ventura será a rua um meio para desenvolver a concentração, a motivação, a socialização, e qualquer área do saber?! Não é na rua que aprendem as regras e muito menos os grafismos, tão importantes para a transição para o 1 ciclo. Que raio de moda esta, que de um momento para o outro os educadores têm de deixar as salas e valorizar o espaço exterior, onde as crianças se batem, correm sem parar, sobem às árvores e pior de tudo, sujam-se. Que justificação teremos de dar aos pais para toda a sujidade que carregam, para as feridas que levam, para as roupas rasgadas? De um momento para o outro, todos se l...

Esqueçam a rua e tudo o que ela contém!

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Que ano será este que se aproxima a passos largos? Com a chegada do mês de setembro, as férias foram ficando para trás e o tempo de escola aproxima-se, fazendo com que cada um viva de forma intensa cada momento.  Ora se sentem os pais ansiosos, ora se sentem as crianças receosas, ora se sentem os educadores e auxiliares a renovarem expectativas para um novo ano.  É o aproximar de mais um ano, em que as portas se abrem para receber todos os que fazem parte da educação, todos.  As paredes vestem-se de cor, as planificações ganham forma, mesmo antes do ano começar, as ansiedades vão ganham cada vez mais terreno e, por fim, os primeiros contactos vão levando a que, de forma individual e única, se sinta a escola de um modo peculiar, de um modo seu, sem as palavras, “todos são assim”.  Criam-se momentos de conversas individuais, vivem-se espaços de troca de informação, estabelecem-se pontes, estreitas, entre os dois contextos, casa e escola, procura-...

A educação é muito complicada, mas a falta dela é bem pior!

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Em tempo de férias, as situações que ocorrem à nossa volta, tornam-se, por vezes, momentos que nos chamam a atenção.   Na praia, no centro comercial, no restaurante, onde quer que seja, os olhos direccionam-se para choro e para birras e, os juízos de valor surgem de um modo, incrivelmente, fácil, levando a que se julgue, sem medida, os pais ou os cuidadores das crianças presentes naquele momento, ou não. Quão embaraçoso se torna, quando todos olham para os pais, que a todo o custo, tentam passar despercebidos e tentam ultrapassar a situação de birra, sem que qualquer dedo lhe seja apontado? Quão inconvenientes se tornam os olhares de repreensão para situações que levam os pais à vergonha, ou à dificuldade em gerir comportamentos com os filhos, ou não? Quão absurdo se torna, quando de um modo tão simples se coloca em causa a educação, a capacidade e competência dos pais para educar os próprios filhos? Os que assistem tornam-se verdadeiros treinadores de bancada...