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“A minha mãe comprou-me livros para aprender as letras”

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De forma constante, somos confrontados com as expectativas dos pais e com a ansiedade desmedida face às aquisições de aprendizagens escolarizadas, consideradas precoces e afastadas do que é a Educação de Infância.  Enquanto educadores devemos promover espaços e momentos que sensibilizem para a importância da Educação de Infância, nomeadamente, da Educação Pré-escolar na aquisição de competências reais e que, se tornam fundamentais na transição para o ciclo seguinte.  A necessidade de se criarem momentos em ambientes familiares, precocemente escolarizados, leva a que as crianças sintam uma pressão excessiva, tornando as vivências que se pretendem positivas, em aprendizagens sem sentido e afastadas das suas necessidades e interesses.  Reconheçamos que, as crianças nesta idade, encontram-se numa fase em que o seu corpo e a sua maturidade não estão preparadas para receber os conhecimentos, quer sejam de foro físico, emocional, social, como escolar. Há um processo importante d...

Às Saletes e outros tais: “Se na sala do meu filho fosse um educador, retirava-o logo!”

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Este texto é dedicado a todas as Saletes que se sentem incomodadas por existirem educadores, Homens. Ao pensarmos nesta profissão associamos, facilmente, ao género feminino, é verdade! Sabem porquê Sras. Saletes? Porque antes de surgirem os Jardins de Infância, a mulher era, sem dúvida, aquela que tinha a responsabilidade de cuidar e de educar os filhos. Devido às mudanças sociais do papel da Mulher, em que iniciou uma vertente profissional, existiu a necessidade da criação de espaços que promovessem um ambiente de qualidade. Além de surgir o cuidar nesses espaços, surgiu, também, a preocupação por promover momentos culturais e com vertente pedagógica. No entanto, este ambiente não substitui o que as Sras Saletes fazem: Educar os vossos filhos. Com o surgimento dos jardins de infância surge também a preocupação por formar profissionais para o efeito, que até então, seria socialmente indicado para o género feminino. Querem se espantar? Esta necessidade social não surgiu nem hoje, nem on...

Antecipação das aprendizagens do ciclo seguinte? Um verdadeiro mito.

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Pressionados pela sociedade e pelas ideologias centradas no sucesso e no resultado, somos, diariamente, confrontados com estas exigências: aprendizagens precoces que tendem a tornar o próximo ciclo um momento mais tranquilo e harmonioso. Mito. Não se preparara nada com esta antecipação. O crescimento/desenvolvimento infantil é realizado pelos seus timings individuais e não pelas necessidades de lhes dar já, desde tenra idade, um currículo baseado numa profissão que nem sabemos se irá existir. Currículos centrados nas temáticas e longe do interesse individual. Afastemo-nos da ideia de proporcionar momentos que tendem a preparar as crianças para o 1º ciclo, nomeadamente, o aprender a estar sentado, o aprender as letras e os números, somas e substrações, ou seja, as competências que tendem a surgir no ciclo seguinte de uma forma programada, curricular e especializada. Esta exigência que se torna cada vez mais regular e preocupante, leva a que os pais sintam a necessidade e a vontade de qu...

Aconteceu... acontece... adaptação!

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Chegámos à escola! Alguns chegaram de sorriso no rosto, outros com umas lágrimas perdidas, outros ansiosos e outros mais aventureiros. Sejam novos alunos na escola, sejam alunos que já conhecem a escola, voltamos a falar em adaptação. Este tempo que tem sido tão estranho de ser vivido trouxe-nos receios, acomodações, desconfianças e medos. Mas regressámos e com o regresso voltaram a estar com quem tinham saudades. Voltaram a abraçar quem não viam há algum tempo. Voltaram a brincar e a partilhar esses momentos. Estes dias de agitação tornam-se fundamentais para a coesão e para construção da noção de grupo. Há elementos novos a integrar, há posições que, entre eles, acabam por surgir de um modo natural. São crianças com as suas personalidades e, como em qualquer grupo de pessoas, existem líderes, existem conflitos, existem momentos em que conversamos, rimos, mas alguns momentos em que também choramos. Como reagimos, como enfrentamos estes momentos, como nos damos? Estes dias têm sido car...

E aos pais, quem os acalma?

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A ansiedade vai crescendo à medida que o dia de iniciar a escola se aproxima. A preocupação leva a que se pense em tudo, em todas as situações que podem acontecer. As reuniões foram acontecendo. Alguns pais fizeram uma lista de perguntas que tendiam a não terminar, outros disfarçavam a preocupação e a ansiedade para o início do ano.  Há sempre preocupação, há sempre ansiedade, há sempre o desejo de ser confortado e de acalmar os seus anseios. O conhecimento prévio de quem os acolhe é fundamental, a relação que se cria com os pais reflete-se no comportamento das crianças e, como tal, devemos preparar o início do ano e torná-los parte deste processo, a que chamamos educação. Mas o dia vai-se aproximando, os pequenos sentem o nervosismo dos pais e, como tal, apropriam-se desse nervosismo. Apesar de tentarem esconder esse sentimento, não lhes passa despercebido. O aconchego, o abraço, a segurança, a confiança, são fatores que motivam e que alteram esta nova entrada, esta mudança! Condi...

Trabalho para Férias: BRINCAR como se não houvesse amanhã!

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O período de férias já chegou. São as merecidas férias que os levam a descontrair, a descansar e a ganhar energias para o próximo ano letivo. É tempo para isso, é tempo para permitir que brinquem. Estes dois anos letivos que vivemos, foram anos completamente atípicos e todos estamos conscientes disso, até as próprias crianças! Mas, não tomemos as férias como uma espécie de imodium rápido versão educação , que lhes proporciona não um alívio rápido, mas como muitos consideram, uma ação rápida no que diz respeito aos conhecimentos que não foram adquiridos, ou trabalhos que não foram realizados.  É exatamente o efeito contrário que queremos, esse efeito rápido atinge-se com aquilo que melhor sabem fazer, brincar. Não é tempo de recuperações e de se manterem fechados com os manuais à sua volta. Reflitam no tempo que lhes dão para explorar, e se é o tempo devido e suficiente. Reflitam no espaço que lhes dão para se aventurarem, para se magoarem, para caírem, sendo que, se levantarão log...

Terminado o ano, (…) voam para um novo destino!

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Ano após ano olhamos as crianças que estão diante de nós, com quem partilhámos tantas conquistas e tentativas, e reconhecemos que cresceram, que se tornaram crianças com mais aprendizagens e oportunidades de crescimento. Estas mesmas crianças, com quem estabelecemos tantas parcerias e partilhas, são agora aquelas a quem dizemos que partem para novos voos. Não olhamos apenas para as que seguem para um novo Ciclo, mas também, para as que se mantêm na Educação Pré-escolar ou até na Creche. Até para essas, entram num novo ciclo de aprendizagem , ou se melhor quisermos referir, na continuidade de uma etapa de aprendizagem. Reforça-se, assim, a importância de não assumirmos que é tudo um dado adquirido, que, sendo as mesmas crianças, existiram mudanças, conhecimentos alargados, aprendizagens fundamentadas nos seus interesses e desafios, nos seus erros e nos nossos. Elas mudaram. Nós mudámos. Neste fim de ano temos de reconhecer que o ciclo se fecha e que o próximo ano precisa de um novo cu...

O tempo que não é teu, mas delas (as crianças)!

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Para. Senta-te, num canto. Deixa-te envolver pelas 25 tentativas que tens à tua frente.  Existem risos, diálogos, relações que se criam e se interligam de acordo com o que vão construindo, com o que vão brincando. Deixa-te observar, vê as tentativas, as conquistas, as formas diferentes de expressão, envolve-te e constrói o que precisas para os observar neste momento de aprendizagem. Consegues sentir o que sentem? Não.  Consegues ler os seus pensamentos, as suas planificações complexas? Não! Então observa.  Enriquece o espaço e as experiências com base nessa observação.  Planifica de acordo com o que vês, com o que sentes, com o que te fazem sentir. É difícil? Bastante! São tantas as observações a fazer, tantas as oportunidades a construir, tantas crianças para conhecer de uma forma única, reconhecendo fragilidades e potencialidades individuais. Deixa os trabalhos de lado, as fichas, as pastas (que queres cheias), as folhas brancas, centra-te no principal, as crianças...

Eles não podem passar a vida a desenhar pandas. E as letras?

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Se ainda agora estávamos a iniciar o 3º período, já vemos o fim do ano a aproximar-se a passos largos e…. tanto ficou por fazer. O sentimento que nos começa a invadir, de não se ter concretizado tudo o que queríamos, leva-nos a entrar numa batalha contra o tempo, em que as prioridades se vão centrando no que se vai enviar para casa, nas vivências que se queriam proporcionar e não se criaram, basicamente, nos planeamentos centrados no adulto e não nas crianças. Mesmo que, tenham surgido propostas das crianças que nem sempre se tornam de fácil concretização, temos de saber reconhecer quais os caminhos que devemos seguir: aqueles que mantêm o interesse dos mais pequenos ou aqueles que consideramos pertinentes. No fundo, todos são pertinentes, mas nem todos os têm como o centro. Este envolvimento claro, leva-nos a criar formas de estar nas nossas práticas que tendem a valorizar os espaços, não como cenários de aprendizagem, mas como pistas de corrida para alcançar o desejado final de ano c...

Rui disseram-me: As crianças são o futuro!

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Quando hoje começaram a chegar, vinham com um sorriso de orelha a orelha, ansiosos por mais um dia de brincar. Mas hoje, o dia era diferente (dizem os entendidos ou aqueles que se lembram do brincar e das crianças neste dia!) Os sorrisos rasgados vinham a toda a pressa, entravam na sala acompanhados de um bom dia e de um abraço quente, cheio de saudades, cheio de afeto e de sentir que queremos estar todos aqui, juntos. Ainda ontem aqui estivemos, mas estes abraços renovam este sentimento diariamente e não os podemos desvalorizar. São sinceros. Vem um e logo depois outro. Entram e espalham-se pela sala a fazer o que nós chamamos brincar, aquilo que deveríamos valorizar hoje, no dia das Criança e nos restantes dias do ano. Aquelas pequenas mãos agarram legos, quantos conseguem, outros até caem, porque a carga passou o limite de carga. Aquelas mãos que me abraçaram, aqueles braços que me apertaram são agora os braços e as mãos que constroem e tentam, a todo o custo, tornar real o que imag...