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Esta é a educação que (...) renasce das cinzas

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Cansei-me de refletir.  Cansei-me de ir aí encontro dos seus interesses.  Cansei-me de ser um educador que os desafia.  Cansei-me de questionar as grelhas que me obrigam a preencher.  Cansei-me de apostar na mudança.  Cansei-me de lutar por aquilo em que acredito, porque afinal, é um caminho solitário.  Cansei-me de defender, com unhas e dentes, a educação de infância em prol das crianças, porque são os adultos que mandam nela.  Esta é a educação de hoje.  Esta é a educação que valoriza os números e não as conquistas, que valoriza as percentagens possíveis de serem reflectidas em gráficos estatísticos comparativos.  Esta é a educação que vive atolada em papéis e grelhas, que não reconhece as potencialidades dos futuros adultos.  Esta é a educação que atira areia para os olhos de todos, que faz com que caminhem todos no mesmo sentido por caminhos já desbravados e pouco reflectidos.  Esta é a educação que f...

São contratados e, nómadas, seguem de cidade em cidade...

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O ano letivo chega ao fim a passos largos, ultimam-se os preparativos, os contratos começam a terminar, ora por substituições, ora fim de projetos, ora, simplesmente, porque o ano terminou. As malas começam-se a fazer e, carregados, seguem rumo aos seus lares que deixaram durante um ano inteiro, ou em pequenos períodos, apenas em prol de uma carreira, que se visa doente, perdão, docente. Ausentam-se da educação dos filhos, das suas relações, do círculo de amigos e rumam sem saber onde poderão ficar, o que esperar, o que fazer… rumam, tantas vezes, abandonados à sua sorte e aventuram-se por terras que não conhecem. Tudo começa, tudo recomeça, durante um ano, recomeçam um nova vida, cheia de novas adaptações, cheia de mudanças. Tantas vezes se fala nas adaptações dos alunos aos novos professores, que graças ao sistema, mudam de forma constante, prejudicando-os, “unicamente” a eles próprios,… mas, e os professores? Mas, e os professores contratados que, por vezes, dura...

Ainda estamos a fazer praia… é uma aventura!

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Hoje é mais um dia de trabalho. A roupa prática, a bata, dão lugar a calções, a chinelos e a fato ou a calções de banho. O despertador tocou mais cedo, porque a hora de partida da escola, faz com que sejam dias em que o horário se prolonga, em que se tire o máximo de proveito de cada momento. Dias de praia… Pelo caminho, até à escola, reveem-se, mentalmente, todos os cuidados que se irão ter ao longo do dia: todos têm protetor, como pedido aos pais, todos trouxeram muda de roupa, toalhas, chinelos, mochilas, água… de um modo extremamente rápido cria-se uma checklist mental, para que, estes dias corram da melhor forma. Além de serem momentos fora da escola, são momentos importantes para explorar, para permitir que brinquem, para permitir que tenham cuidado, … são momentos que são planeados, de igual forma. O alvoroço na escola é evidente, a agitação tomou conta daqueles pequenos corpos, ansiosos por experimentarem mais um dia de praia. Os educadores e auxil...

Velhos são os trapos, que não mudam a educação

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Muito se tem falado e escrito sobre o brincar. Alguns, os que se sentem mais desafiados, leem mais sobre o assunto. Alguns limitam-se a partilhar sem ler. Outros há que apenas criticam com medo da mudança, revelando-se os maiores conservadores, os que vivem à luz do "dantes é que era bom, há uns anos era assim, nada muda, nada se transforma".  Lidamos diariamente com esta atividade inata nas crianças. Tendemos favorecer estes momentos, como fundamentais para as aprendizagens e consolidação de conhecimentos, de resolução de problemas, de ultrapassar dificuldades. Por vezes, mais do que tendermos é tentarmos. São momentos em que sentem o perigo, o risco, a diversão e o desafio...  Há quem pense que, diariamente, nas práticas de cada um, o brincar é apenas mais um momento em que se permite que eles se desenvolvam sob o olhar atento dos adultos. Diz o Prof. Carlos Neto: "Brincar não é uma opção, é um direito". E realmente é. Apesar de sabermos que muito t...

A minha filha teve 5 a tudo (...) agradeci, logo, à educadora que teve!

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As notas já saíram, foram lançadas. Uns mais agradados do que outros, uns mais descansados do que outros. Ao longo do tempo vão desenvolvendo competências que iniciaram bem novos, na creche, ou no jardim-de-infância. E quão importantes se tornaram essas experiências. Longe das avaliações superiores, ou dos que tentam, a todo o custo, avaliar as práticas dos educadores, mais novos ou não, vão surgindo evidências de que, o empenho que cada um teve na fase inicial de cada criança vai dando os seus frutos. Surgem evidências de que a educação de infância dá frutos. As regras, lidar com os medos e enfrentá-los, confrontar as frustrações e aprender a ultrapassá-las, ter contacto com meios escritos, diferentes obras literárias, expressões artísticas, com o mundo que está à sua volta, com o mundo lógico-matemático, enfim… anos em que lhes foram dadas um rol de vivências, explorações e conquistas, anos que lhes valeram ser o que são, anos que os ajudaram a crescer, alicerçados nos ...

Relatório de auto avaliação, relatórios de encomenda, ou então, não!

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O ano começa a aproximar se da meta, a correria para ter os documentos todos prontos já começou, as plataformas enchem-se de dados, de notas, de valores, de quantificações, de representações numéricas e, posteriormente, estatísticas, do que foi o ano.  Representam-se, quantitativamente, conquistas, deslizes, esforços, objetivos alcançados, tudo em prol de dados estatísticos que, mais tarde, se tornarão como leituras do estado "real" da educação.  Os professores, apressadamente, tendem a cumprir os prazos, a inserir, novamente, dados atualizados, a espelhar no computador a frustração de não serem mostrados os resultados qualitativos, porque para os agrupamentos, para os diretores, para os ministros, para quem quer que seja, nada há mais importante do que as percentagens, sendo estas,  possíveis de comparação entre escolas, concelhos, distritos, países.... Nada mais importa, do que as comparações mediáticas que valorizam o aluno padrão, com o atingido ou não atingido....

No jardim-de-infância não existem brinquedos para rapazes ou brinquedos para raparigas

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O jardim de infância... um espaço de igualdade de oportunidades, de crescimento, de cometer erros, de correr riscos, de igualdade de géneros.  Os brinquedos, que são dispostos, valorizam cada espaço, cada brincadeira, cada desafio e cada erro. Tornam o espaço rico em aprendizagens, a diferentes ritmos de trabalho, a diferentes ritmos de envolvimento, de empenho, tornam-se claros nos interesses que apresentam. É um espaço organizado de acordo com o grupo.  Sendo constituído como uma ferramenta importante no dia-a-dia das crianças, o ambiente educativo, nomeadamente, a escolha de brinquedos e a sua organização, leva a que, a variedade dos mesmos beneficiem ambos os sexos, ou seja, será um ambiente com brinquedos para uso de ambos os sexos. Felizmente, no jardim de infância, não existem barreiras de género, brinquedos para rapazes ou para raparigas, existem sim, brinquedos.  Socialmente, ainda se relacionam as cores ao género, ainda se criam ligações das b...

Deixem-nos brincar, é um direito!

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Passado o dia Mundial da Criança, é tempo de voltar ao dia-a-dia. De voltar a esquecer o dia da criança, os seus direitos e tudo o que faz justificação a esta festividade. Um dia no ano, lembra-se os adultos para os direitos que as crianças têm, ou deveriam ter. Esquecidos pela azáfama do trabalho, embrulham-se em preparativos para festejar da melhor forma este dia. Criam-se festas e festivais específicos para as crianças, constroem-se lembranças, para que, os mais pequenos se lembrem deste dia, fazem-se entrevistas nos jornais diários a reforçar as ofertas lúdicas e comerciais. Tudo se torna negócio. Os cinemas enchem-se de famílias, os parques de insufláveis, tudo é permitido… neste dia! Os direitos das crianças tornam-se um marco histórico na vida das mesmas, na história, no passado e no presente. Mas, quão facilmente o esquecemos! Daí a necessidade de nos lembrarem disto, ano após ano. No dia da criança tudo se faz para que eles o aproveitem da melhor forma e o vi...