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Quando o “não consigo” é barreira.

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Diariamente, esta expressão, não consigo, deve ser aquela que mais escutamos, aquela que dizem sem pensar, fruto de insegurança e de uma exigência desmedida e fora do seu alcance. O que promovemos, que comportamentos exigimos, que pensamento estamos a criar? Tem sido recorrente, ao longo dos anos, a fragilidade dos pequenos se notar através de expressões que denotam uma baixa autoestima, uma dificuldade enorme em reconhecer as suas potencialidades e as suas capacidades. Esta expressão que, aparentemente, soa a não tentar, leva a uma reflexão ainda mais profunda. Numa sociedade de competição, em que todos têm de ser os melhores, as responsabilidades que se colocam nos seus pequenos ombros, elevam a inconsciência das suas capacidades, tornando-os seres inseguros, incapazes de ousar, ou sequer, de construir uma opinião fundamentada. A nossa forma de ação deve ser de encorajamento, deve ser de estabelecer pontes entre o que são e o que conseguem, atribuindo um significado fundament...

Calças rotas, joelhos esfolados, mas de sorriso no rosto!

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A rua tem sido uma aventura, mesmo quando nem todos entendem o seu verdadeiro significado para as crianças. Quando a rua se torna um espaço de aventura e os adultos o permitem, de facto,  as idas à rua tornam-se únicas, especiais, diferentes a cada dia que passa, mesmo que o espaço seja o mesmo, a imaginação e a criatividade de cada um, de cada criança, torna esse mesmo espaço exterior único, um palco de vivências Por entre espadas e tubarões, princesas e dragões, fogueiras e fogões, não há limites para a criatividade, para a aventura. Não há limites para o brincar. É um momento único, em que apenas sabemos onde inicia, para onde vai, que caminho seguem, que cenários de brincadeira constroem, que mapas mentais elaboram só eles o sabem… nós, observamos, potencializamos e, mais do que tudo, valorizamos este tempo. Nestes tempos de correria, de cumprimento de horários, haverá melhor do que permitir que brinquem ao sabor do seu tempo?  Haverá melhor tempo na planificação do que as...

Grupos de WhatsApp de pais, um obstáculo ou uma potencialidade?

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É sabido que, anualmente, surgem grupos de WhatsApp que tendem a ser uma forma de comunicação entre pais dos grupos de escola. Com que propósito surgem? Surgem, acima de tudo, para evitar o fosso da comunicação entre eles e entre a escola. No entanto, estes grupos perdem-se em significados e problemáticas que tantas vezes afetam o funcionamento das salas ou das próprias escolas. A questão que se coloca é, estes grupos são de facto uma potencialidade ou um obstáculo? Habituamo-nos ao imediato, ao ter as respostas no momento, a expor situações que surgem e a recolher o maior número de opiniões que valorizam e/ou validam comportamentos. No entanto, estes grupos tornam-se, tantas vezes formas de criar quezílias com quem está diariamente com os alunos em sala, tornam-se em guerras familiares sem se entender bem porque surgem. O que se pretende com os grupos que funcionam como obstáculo? Nada! É preferível não existirem. Há, também, os grupos que se tornam, realmente, grupos que promovem a p...

“A minha mãe comprou-me livros para aprender as letras”

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De forma constante, somos confrontados com as expectativas dos pais e com a ansiedade desmedida face às aquisições de aprendizagens escolarizadas, consideradas precoces e afastadas do que é a Educação de Infância.  Enquanto educadores devemos promover espaços e momentos que sensibilizem para a importância da Educação de Infância, nomeadamente, da Educação Pré-escolar na aquisição de competências reais e que, se tornam fundamentais na transição para o ciclo seguinte.  A necessidade de se criarem momentos em ambientes familiares, precocemente escolarizados, leva a que as crianças sintam uma pressão excessiva, tornando as vivências que se pretendem positivas, em aprendizagens sem sentido e afastadas das suas necessidades e interesses.  Reconheçamos que, as crianças nesta idade, encontram-se numa fase em que o seu corpo e a sua maturidade não estão preparadas para receber os conhecimentos, quer sejam de foro físico, emocional, social, como escolar. Há um processo importante d...

Às Saletes e outros tais: “Se na sala do meu filho fosse um educador, retirava-o logo!”

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Este texto é dedicado a todas as Saletes que se sentem incomodadas por existirem educadores, Homens. Ao pensarmos nesta profissão associamos, facilmente, ao género feminino, é verdade! Sabem porquê Sras. Saletes? Porque antes de surgirem os Jardins de Infância, a mulher era, sem dúvida, aquela que tinha a responsabilidade de cuidar e de educar os filhos. Devido às mudanças sociais do papel da Mulher, em que iniciou uma vertente profissional, existiu a necessidade da criação de espaços que promovessem um ambiente de qualidade. Além de surgir o cuidar nesses espaços, surgiu, também, a preocupação por promover momentos culturais e com vertente pedagógica. No entanto, este ambiente não substitui o que as Sras Saletes fazem: Educar os vossos filhos. Com o surgimento dos jardins de infância surge também a preocupação por formar profissionais para o efeito, que até então, seria socialmente indicado para o género feminino. Querem se espantar? Esta necessidade social não surgiu nem hoje, nem on...

Antecipação das aprendizagens do ciclo seguinte? Um verdadeiro mito.

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Pressionados pela sociedade e pelas ideologias centradas no sucesso e no resultado, somos, diariamente, confrontados com estas exigências: aprendizagens precoces que tendem a tornar o próximo ciclo um momento mais tranquilo e harmonioso. Mito. Não se preparara nada com esta antecipação. O crescimento/desenvolvimento infantil é realizado pelos seus timings individuais e não pelas necessidades de lhes dar já, desde tenra idade, um currículo baseado numa profissão que nem sabemos se irá existir. Currículos centrados nas temáticas e longe do interesse individual. Afastemo-nos da ideia de proporcionar momentos que tendem a preparar as crianças para o 1º ciclo, nomeadamente, o aprender a estar sentado, o aprender as letras e os números, somas e substrações, ou seja, as competências que tendem a surgir no ciclo seguinte de uma forma programada, curricular e especializada. Esta exigência que se torna cada vez mais regular e preocupante, leva a que os pais sintam a necessidade e a vontade de qu...

Aconteceu... acontece... adaptação!

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Chegámos à escola! Alguns chegaram de sorriso no rosto, outros com umas lágrimas perdidas, outros ansiosos e outros mais aventureiros. Sejam novos alunos na escola, sejam alunos que já conhecem a escola, voltamos a falar em adaptação. Este tempo que tem sido tão estranho de ser vivido trouxe-nos receios, acomodações, desconfianças e medos. Mas regressámos e com o regresso voltaram a estar com quem tinham saudades. Voltaram a abraçar quem não viam há algum tempo. Voltaram a brincar e a partilhar esses momentos. Estes dias de agitação tornam-se fundamentais para a coesão e para construção da noção de grupo. Há elementos novos a integrar, há posições que, entre eles, acabam por surgir de um modo natural. São crianças com as suas personalidades e, como em qualquer grupo de pessoas, existem líderes, existem conflitos, existem momentos em que conversamos, rimos, mas alguns momentos em que também choramos. Como reagimos, como enfrentamos estes momentos, como nos damos? Estes dias têm sido car...

E aos pais, quem os acalma?

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A ansiedade vai crescendo à medida que o dia de iniciar a escola se aproxima. A preocupação leva a que se pense em tudo, em todas as situações que podem acontecer. As reuniões foram acontecendo. Alguns pais fizeram uma lista de perguntas que tendiam a não terminar, outros disfarçavam a preocupação e a ansiedade para o início do ano.  Há sempre preocupação, há sempre ansiedade, há sempre o desejo de ser confortado e de acalmar os seus anseios. O conhecimento prévio de quem os acolhe é fundamental, a relação que se cria com os pais reflete-se no comportamento das crianças e, como tal, devemos preparar o início do ano e torná-los parte deste processo, a que chamamos educação. Mas o dia vai-se aproximando, os pequenos sentem o nervosismo dos pais e, como tal, apropriam-se desse nervosismo. Apesar de tentarem esconder esse sentimento, não lhes passa despercebido. O aconchego, o abraço, a segurança, a confiança, são fatores que motivam e que alteram esta nova entrada, esta mudança! Condi...

Trabalho para Férias: BRINCAR como se não houvesse amanhã!

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O período de férias já chegou. São as merecidas férias que os levam a descontrair, a descansar e a ganhar energias para o próximo ano letivo. É tempo para isso, é tempo para permitir que brinquem. Estes dois anos letivos que vivemos, foram anos completamente atípicos e todos estamos conscientes disso, até as próprias crianças! Mas, não tomemos as férias como uma espécie de imodium rápido versão educação , que lhes proporciona não um alívio rápido, mas como muitos consideram, uma ação rápida no que diz respeito aos conhecimentos que não foram adquiridos, ou trabalhos que não foram realizados.  É exatamente o efeito contrário que queremos, esse efeito rápido atinge-se com aquilo que melhor sabem fazer, brincar. Não é tempo de recuperações e de se manterem fechados com os manuais à sua volta. Reflitam no tempo que lhes dão para explorar, e se é o tempo devido e suficiente. Reflitam no espaço que lhes dão para se aventurarem, para se magoarem, para caírem, sendo que, se levantarão log...

Terminado o ano, (…) voam para um novo destino!

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Ano após ano olhamos as crianças que estão diante de nós, com quem partilhámos tantas conquistas e tentativas, e reconhecemos que cresceram, que se tornaram crianças com mais aprendizagens e oportunidades de crescimento. Estas mesmas crianças, com quem estabelecemos tantas parcerias e partilhas, são agora aquelas a quem dizemos que partem para novos voos. Não olhamos apenas para as que seguem para um novo Ciclo, mas também, para as que se mantêm na Educação Pré-escolar ou até na Creche. Até para essas, entram num novo ciclo de aprendizagem , ou se melhor quisermos referir, na continuidade de uma etapa de aprendizagem. Reforça-se, assim, a importância de não assumirmos que é tudo um dado adquirido, que, sendo as mesmas crianças, existiram mudanças, conhecimentos alargados, aprendizagens fundamentadas nos seus interesses e desafios, nos seus erros e nos nossos. Elas mudaram. Nós mudámos. Neste fim de ano temos de reconhecer que o ciclo se fecha e que o próximo ano precisa de um novo cu...

O tempo que não é teu, mas delas (as crianças)!

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Para. Senta-te, num canto. Deixa-te envolver pelas 25 tentativas que tens à tua frente.  Existem risos, diálogos, relações que se criam e se interligam de acordo com o que vão construindo, com o que vão brincando. Deixa-te observar, vê as tentativas, as conquistas, as formas diferentes de expressão, envolve-te e constrói o que precisas para os observar neste momento de aprendizagem. Consegues sentir o que sentem? Não.  Consegues ler os seus pensamentos, as suas planificações complexas? Não! Então observa.  Enriquece o espaço e as experiências com base nessa observação.  Planifica de acordo com o que vês, com o que sentes, com o que te fazem sentir. É difícil? Bastante! São tantas as observações a fazer, tantas as oportunidades a construir, tantas crianças para conhecer de uma forma única, reconhecendo fragilidades e potencialidades individuais. Deixa os trabalhos de lado, as fichas, as pastas (que queres cheias), as folhas brancas, centra-te no principal, as crianças...