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Por favor pai, tem de chegar mais cedo. O seu filho tem trabalhos em atraso.

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Esta é a nossa realidade.  O grupo de pais que temos, é um grupo diversificado.  Temos os pais empenhados e preocupados.  Temos os pais um pouco menos preocupados, em relação ao que se faz, ou à forma como os seus filhos passaram o dia na escola.  Temos os pais "picuinhas", que à mínima situação nos caem em cima sem darem oportunidade de justificação.  Temos os pais "tá-se bem", que valorizam o que vai sendo feito, e que, acima de tudo, se preocupam com o bem-estar de todos, seja dos filhos, seja da equipa de sala.  Temos pais para todos os gostos.  Ah! Há ainda os pais pontualíssimos que, por obrigações profissionais, estão à porta da escola, mesmo antes desta abrir.  Temos ainda os pais, que chegam mais atrasados e que, tendo horários fora do comum a cumprir, aproveitam o tempo que é permitido para passar com os seus filhos. Tempo esse, que vale ouro.  O educador na sala, observa pela janela os pais que trazem pel...

És educador, porque estudaste menos do que eu!

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É, em jeito de brincadeira, que se ouve a frase: "És educador, porque estudaste menos do que eu!" mas, mesmo em jeito de brincadeira, não é livre de reflexão!  Sou educador, sim, porque não estudei menos do que tu, mas porque me especializei em educação de infância.  Sou educador, porque esta foi a minha opção profissional e, mesmo sem ter muito a noção do que poderia advir, sei que foi a melhor opção. Estou consciente de que desempenho as minhas funções de acordo com o respeito para com as crianças.  Sou educador, porque, diariamente, invisto no bem-estar de 25 crianças e faço-as sonhar e acreditar que tudo o que desejarem é possível de atingir.  Sou educador, porque mesmo "estudando menos do que tu", acredito que o "não consigo", não existe e passo isso para os meus alunos. Sou educador, porque faço fazer parte da pouca percentagem de homens preocupados com a educação de infância e, mais do que preocupado, decidi contribuir para a ...

Amanhã vou-te levar à escola e deixo-te lá! Não te vou buscar!

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Dia após dia, somos desafiados por comportamentos mais ousados e desafiantes dos mais pequenos.  Diariamente, observamos comportamentos de chantagem dos mais novos para com os adultos.  Diariamente, vemos o cansaço tomar conta dos adultos e, a agir de acordo com o cansaço e, não de acordo com a educação que gostariam de dar aos seus filhos, ou o apoio às suas turmas.  Diariamente, vemos recompensas por pequenos momentos, grande maioria delas, recompensas  materiais ou ausência delas. São dadas no intuito de valorizar comportamentos, ou por punições físicas/psicológicas, que em nada ajudam à compreensão do comportamento, por parte das crianças, dito errado.  O uso da força leva a que a situação possa ficar resolvida por poucos minutos, mas no fundo, estamos a mostrar a forma de ação para situações futuras, em que a raiva que sentem, se vai acumulando e, em momentos de conflito, surge em forma de violência ou de um modo mais brusco e bruto. Ajudar os ...

A Educação de Infância vale a pena! Seremos meros aprendizes de quem brinca!

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É uma verdade: a Educação de Infância faz falta.  É uma verdade: a Educação de Infância, ainda, é desvalorizada.  É uma verdade: na Educação de Infância, deixamo-los crescer.  Deixamos? Deixamos, mesmo! Reconhecer os educadores, os auxiliares que apoiam, diretamente, cada criança é um desafio! Mas, mais do que um desafio, é uma necessidade. De manhã, quando entramos na sala, não temos lábios para, carinhosamente, cumprimentar cada um, cada um à sua medida, à sua maneira. E nós sabemos, exatamente, de que forma gostam/querem ser cumprimentados. É certo que faz parte da nossa profissão, (estabelecermos uma relação de afetividade), mas é uma grande verdade que criamos relações com eles, de tal forma imponentes que, até mesmo à noite, quando dormem, chamam por nós e não pelos pais. E nós, por eles, passamos tantas noites em claro. Passamos, tantas, horas com eles, que percebemos que à mínima mudança de comportamento, algo não está bem. Chama-s...

Serei um educador de primeira, de segunda ou de terceira?

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Somos todos educadores, somos todos agentes envolvidos com a educação, e que, promovem a educação, que promovem uma boa educação, ou seja, uma educação de qualidade. No entanto, de forma um pouco ingrata, continua a existir uma discrepância enorme entre os educadores que estão no privado, os que estão nas IPSS e ainda, os que estão no ensino público. Em reuniões conjuntas, onde se prevê uma boa relação entre todos, onde se prevê a transmissão de conhecimentos, onde se prevê a partilha de saberes e de situações, onde se prevê a partilha de práticas, os olhares, as atitudes nem sempre são sinceras... Somos discriminados com a nossa classe. De facto, e porque assim é a nossa sociedade, existe mesmo um afastamento, atrevo-me a dizer mais, uma desvalorização nos diferentes contextos. Quezílias à parte, desvalorizações aparte, somos todos profissionais de educação, educadores e, independentemente do local onde se trabalhe, valoriza-se o mesmo, as crianças. Se esta discrepânc...

"o meu filho faz 5 anos, o que pretende fazer para a passagem para o 1 ciclo?"

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A escola iniciou-se há cerca de 1 mês. Vindos de tempo de férias carregam na mochila as experiências que tiveram no verão. Passado um mês tornam-se, calmamente, evidentes as necessidades de cada um, os interesses, as dificuldades, mas mais do que isso, as curiosidades. Este conhecimento prévio, esta observação inicial, torna-se de tal forma rica somente pelas observações, que tende a incluir todas as áreas de conteúdo e, não apenas, as áreas socialmente mais valorizadas: português, matemática. Esta observação torna-se de tal forma importante, que apoia a brincadeira e tudo o que dela parte. Aliás, observa-se durante o processo do brincar, sem a necessidade de preencher documentos padronizados, onde de acordo com o "diz que disse", importante é ter evidências, mesmo não sendo adequadas ao grupo, mesmo não sendo elas reflexo da aprendizagem e do conhecimento que fazem e/ou trazem de casa. Perante isto bastaria, no fim, aplicar uma quantificação de nota, para que, ...

Para de brincar com a areia, estás a fazer pó.

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A chuva ameaça aproximar-se, mas enquanto não aparece, a rua tem sido um espaço, frequente, de brincadeira. Mas afinal, valerá a pena apostar no espaço exterior como espaço de aprendizagens? Apesar de ser um espaço fabuloso, verde, cheio de árvores, com terra e amplo não proporciona as atividades que são exigidas Não se treina o estar sentado para o 1º ciclo, não se desenvolve o grafismo, que tanta falta irá fazer aquando a transição para o ciclo seguinte, não se desenvolve a contagem, não se recorta, não se aprende a escrever os números e, muito menos, o nome.   Como podem treinar os conjuntos?  Como podem desenvolver a criatividade?  Como podem treinar o estar sentado a uma secretária?  Como podem desenvolver experiências? Como podem ser crianças empenhadas nas competências a adquirir para o 1º ciclo? Na rua há pó, terrível para   as alergias das crianças (e dos adultos). Na rua sujam   as calças e, às vezes, até às rom...

Vão em grupo, sem bibes e sem chapéus de uma só cor

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As paredes desmoronaram-se e mostraram que, lá fora, há um mundo de explorações à nossa espera. As janelas deixaram de existir e deram lugar a árvores, ramos e folhas. As portas de madeira, que fecham a sala, abriram-se sob o olhar atento dos mais pequenos e, lá fora, os pés encaminham-se a passos largos e apressados rumo à aventura, rumo à curiosidade, rumo à exploração. Encaminhados pelo sol, saem da sala na esperança de que as adaptações continuem, na esperança de que a rua lhes traga mais experiências que não podem ter na sala, na esperança de os alertar para tudo o que está à sua volta e, assim, a rua seja o prolongamento da sala, seja valorizado e considerado como um espaço pedagógico rico em aprendizagens.    Porque continuamos a insistir em nos mantermos fechados em salas, quando o sol nos convida a espreitar cada canto? Como diz o Professor Carlos Neto, “Hoje em dia passeiam-se mais os cães do que os próprios filhos.” É, de facto, uma verdade....