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Valorizar o SER em construção: transições

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A articulação e dar continuidade a processos de aprendizagem são aspetos que, realmente, são bichos de sete cabeças e que, no fundo, vêm revelar a desvalorização das fases anteriores ao ciclo em que se encontram. Se cada vez mais há a defesa de transmissão de conhecimentos entre docentes, entre educadores, porque se continua a ignorar este processo de transmissão que facilitam e tornam as transições em momentos mais harmoniosos e centrados nas crianças? Está na altura de olharmos para cada fase de vida das crianças de forma séria, de forma valorizada. Cada momento é importante e fundamental. Saiam do vosso pedestal e sejam humildes para escutar e ouvir quem passa e passou os últimos anos de vida com aqueles que irão receber. Mais do que perceber se o comportamento é adequado ou não, não é urgente perceber os percursos que delinearam, há muito além do comportamento. Ignorar estes momentos de conexão e de partilha é ignorar anos de infância, crescimento e aprendizagens. É a desvalorizar ...

Saibamos agradecer, sempre, às crianças!

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Ao longo do ano surgem, sempre, agradecimentos a todos os que vão intervindo nas práticas diárias,  desde a creche a qualquer fase da educação. Agradecemos aos educadores pelo trabalho desenvolvido e a relação entre os conhecimentos e o respeito das crianças. Agradecemos aos auxiliares de ação educativa o cuidado e o empenho por fazer com que as crianças se sintam bem. Agradecemos a todos os que participam na vida escola: porteiro, motorista, cozinheiros... todos. Agradecemos, ainda, aos pais por se envolverem na vida escolar, nos desafios lançados para casa, que tantas vezes o fazem de modo contrariado, a participação na escola, o envolvimento nas dinâmicas propostas. Agradecemos. Mas, o principal agradecimento fica por vezes esquecido: às crianças. De facto, temos de reconhecer e saber agradecer: - Por nos desafiarem diariamente a ir ao encontro daquilo a que eles realmente têm interesse; - Por permitirem que cheguemos às suas dificuldades, ás suas fragilidades e caminhemos junto...

Tanto há a fazer pela dignidade da infância

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Hoje em dia falar da infância tem-se tornado algo banal e acessível a todos, no entanto, através dos famosos achismos e dos detentores de toda a razão, se tiram conclusões rápidas e diretas em prol do que se considera o bem necessário para o desenvolvimento das crianças. A futilidade impera. As redes sociais são, cada vez mais, invadidas por plataformas com recursos digitais, que se dizem beneficiar o desenvolvimento das crianças, por publicidades de manuais que se dizem ser uma mais valia na preparação para a transição para o 1º ciclo,… Uma panóplia de situações que nos deixam a pensar, realmente, na dignidade da infância. Torna-se muito curioso que, cada vez mais, exista a necessidade de se falar acerca do brincar, algo que seria suposto acontecer de um modo natural na vida das crianças. Esta temática acaba por nos levar a uma reflexão muito pertinente, de facto, cada vez mais, as crianças estão afastadas do brincar e mais centradas nos objetivos, que se consideram fundamentais para ...

Arraiais, Finalistas e Cartolas

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  Final de ano a aproximar-se e as preocupações mudam, substancialmente. As prioridades mudaram de um momento para o outro, e o discurso parece ter mudado um pouco. Ou seja, passámos um ano letivo a defender os diretos das crianças, a valorizar o SER criança, mas tornamos este final de ano num verdadeiro terror de peças de teatro, canções, danças, e afins, tudo para que os arraiais aconteçam e as crianças sejam, mais uma vez, o foco de atenção. No entanto, para serem esse foco passaram semanas a ensaiar algo que nunca tinham feito, algo que não reflete o ano que passaram, mas vale tudo! Lá começam as febres das festas de final de ano, associadas às festas de Finalistas…. E mesmo sabendo que a maioria ira transitar de ciclo, ou de etapas, falando na creche e na educação pré-escolar, cada mudança leva a uma festa de finalistas… à construção de cartolas reluzentes e brilhantes, que acabada a festa tem o seu destino marcado: lixo. É um tempo gasto em prol de um embelezamento que as...

Evidências de práticas: encomendas para redes sociais e outros tais!

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Observar, Planear, Registar, Documentar, Avaliar, Agir,  porque fazemos e com que intuito?  De facto, estas ações fazem parte das nossas competências de Educadores de Infância, como tal, merecem a nossa melhor atenção e cuidado.  Ao aceitarmos o desafio desta profissão, deveremos ter consciente o peso que ela acarreta e, como tal, devemos estar conscientes do que publicamos e porque publicamos as práticas nas redes sociais ou nos grupos de pais.  A valorização da profissão passa, acima de tudo, pela forma como revelamos o nosso trabalho, as nossas práticas que promovem a escuta e o envolvimento das crianças. Aliámo-nos às tecnologias com o intuito de reforçar o que observamos, de registar momentos que consideramos importantes e que revelam o percurso que as crianças tiveram, levando a que exista um estreitamento na comunicação entre intervenientes. Estes registos ajudam-nos, acima de tudo, a reforçar o que avaliamos, ajudam-nos a comunicar com as famílias de um modo ...

No dia do Jardim-de-Infância (e da Creche) saibamos dizer: Obrigado!

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Hoje homenageiam-se os estabelecimentos de Educação de Infância: Jardins-de-infância e Creches. Homenageiam-se os Educadores de Infância, os Assistentes Operacionais, Auxiliares de Ação Educativa, Cozinheiras, Auxiliares de Limpeza, Porteiros, Assistentes Administrativos e todos os que permitem que os Jardins-de-infância e as Creches funcionem em prol da qualidade na Infância. Centremo-nos no importante, permitir que as crianças vivam uma infância feliz. Centremo-nos nos seus interesses e não nas atividades a metro que tendem a mostrar uma falsa qualidade da Educação de Infância. Centremo-nos na importância que o brincar assume na vida dos mais pequenos, porque de facto, é um fator preponderante nas escolas que respeitam as crianças e fazem máxima  a criança enquanto centro da educação . Centremo-nos na necessidade de criar relação entre todos os intervenientes, de modo a que, todos sejam chamados a participar e a ser parte integrante da construção de um futuro. Centremo-nos no imp...

Quando o “não consigo” é barreira.

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Diariamente, esta expressão, não consigo, deve ser aquela que mais escutamos, aquela que dizem sem pensar, fruto de insegurança e de uma exigência desmedida e fora do seu alcance. O que promovemos, que comportamentos exigimos, que pensamento estamos a criar? Tem sido recorrente, ao longo dos anos, a fragilidade dos pequenos se notar através de expressões que denotam uma baixa autoestima, uma dificuldade enorme em reconhecer as suas potencialidades e as suas capacidades. Esta expressão que, aparentemente, soa a não tentar, leva a uma reflexão ainda mais profunda. Numa sociedade de competição, em que todos têm de ser os melhores, as responsabilidades que se colocam nos seus pequenos ombros, elevam a inconsciência das suas capacidades, tornando-os seres inseguros, incapazes de ousar, ou sequer, de construir uma opinião fundamentada. A nossa forma de ação deve ser de encorajamento, deve ser de estabelecer pontes entre o que são e o que conseguem, atribuindo um significado fundament...

Calças rotas, joelhos esfolados, mas de sorriso no rosto!

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A rua tem sido uma aventura, mesmo quando nem todos entendem o seu verdadeiro significado para as crianças. Quando a rua se torna um espaço de aventura e os adultos o permitem, de facto,  as idas à rua tornam-se únicas, especiais, diferentes a cada dia que passa, mesmo que o espaço seja o mesmo, a imaginação e a criatividade de cada um, de cada criança, torna esse mesmo espaço exterior único, um palco de vivências Por entre espadas e tubarões, princesas e dragões, fogueiras e fogões, não há limites para a criatividade, para a aventura. Não há limites para o brincar. É um momento único, em que apenas sabemos onde inicia, para onde vai, que caminho seguem, que cenários de brincadeira constroem, que mapas mentais elaboram só eles o sabem… nós, observamos, potencializamos e, mais do que tudo, valorizamos este tempo. Nestes tempos de correria, de cumprimento de horários, haverá melhor do que permitir que brinquem ao sabor do seu tempo?  Haverá melhor tempo na planificação do que as...

Grupos de WhatsApp de pais, um obstáculo ou uma potencialidade?

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É sabido que, anualmente, surgem grupos de WhatsApp que tendem a ser uma forma de comunicação entre pais dos grupos de escola. Com que propósito surgem? Surgem, acima de tudo, para evitar o fosso da comunicação entre eles e entre a escola. No entanto, estes grupos perdem-se em significados e problemáticas que tantas vezes afetam o funcionamento das salas ou das próprias escolas. A questão que se coloca é, estes grupos são de facto uma potencialidade ou um obstáculo? Habituamo-nos ao imediato, ao ter as respostas no momento, a expor situações que surgem e a recolher o maior número de opiniões que valorizam e/ou validam comportamentos. No entanto, estes grupos tornam-se, tantas vezes formas de criar quezílias com quem está diariamente com os alunos em sala, tornam-se em guerras familiares sem se entender bem porque surgem. O que se pretende com os grupos que funcionam como obstáculo? Nada! É preferível não existirem. Há, também, os grupos que se tornam, realmente, grupos que promovem a p...

“A minha mãe comprou-me livros para aprender as letras”

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De forma constante, somos confrontados com as expectativas dos pais e com a ansiedade desmedida face às aquisições de aprendizagens escolarizadas, consideradas precoces e afastadas do que é a Educação de Infância.  Enquanto educadores devemos promover espaços e momentos que sensibilizem para a importância da Educação de Infância, nomeadamente, da Educação Pré-escolar na aquisição de competências reais e que, se tornam fundamentais na transição para o ciclo seguinte.  A necessidade de se criarem momentos em ambientes familiares, precocemente escolarizados, leva a que as crianças sintam uma pressão excessiva, tornando as vivências que se pretendem positivas, em aprendizagens sem sentido e afastadas das suas necessidades e interesses.  Reconheçamos que, as crianças nesta idade, encontram-se numa fase em que o seu corpo e a sua maturidade não estão preparadas para receber os conhecimentos, quer sejam de foro físico, emocional, social, como escolar. Há um processo importante d...

Às Saletes e outros tais: “Se na sala do meu filho fosse um educador, retirava-o logo!”

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Este texto é dedicado a todas as Saletes que se sentem incomodadas por existirem educadores, Homens. Ao pensarmos nesta profissão associamos, facilmente, ao género feminino, é verdade! Sabem porquê Sras. Saletes? Porque antes de surgirem os Jardins de Infância, a mulher era, sem dúvida, aquela que tinha a responsabilidade de cuidar e de educar os filhos. Devido às mudanças sociais do papel da Mulher, em que iniciou uma vertente profissional, existiu a necessidade da criação de espaços que promovessem um ambiente de qualidade. Além de surgir o cuidar nesses espaços, surgiu, também, a preocupação por promover momentos culturais e com vertente pedagógica. No entanto, este ambiente não substitui o que as Sras Saletes fazem: Educar os vossos filhos. Com o surgimento dos jardins de infância surge também a preocupação por formar profissionais para o efeito, que até então, seria socialmente indicado para o género feminino. Querem se espantar? Esta necessidade social não surgiu nem hoje, nem on...

Antecipação das aprendizagens do ciclo seguinte? Um verdadeiro mito.

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Pressionados pela sociedade e pelas ideologias centradas no sucesso e no resultado, somos, diariamente, confrontados com estas exigências: aprendizagens precoces que tendem a tornar o próximo ciclo um momento mais tranquilo e harmonioso. Mito. Não se preparara nada com esta antecipação. O crescimento/desenvolvimento infantil é realizado pelos seus timings individuais e não pelas necessidades de lhes dar já, desde tenra idade, um currículo baseado numa profissão que nem sabemos se irá existir. Currículos centrados nas temáticas e longe do interesse individual. Afastemo-nos da ideia de proporcionar momentos que tendem a preparar as crianças para o 1º ciclo, nomeadamente, o aprender a estar sentado, o aprender as letras e os números, somas e substrações, ou seja, as competências que tendem a surgir no ciclo seguinte de uma forma programada, curricular e especializada. Esta exigência que se torna cada vez mais regular e preocupante, leva a que os pais sintam a necessidade e a vontade de qu...