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Por favor, não contem aos pais que eles andaram fora da sala, chegaram cansados e dormiram!

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A sala perdeu as paredes.  As pernas tornam-se o melhor meio de transporte e levam-nos até onde cansaço nos permitir. Apesar de largos minutos  a andar, a vontade em continuar não desaparece, a vontade em explorar outros sítios aumenta e, a cada canto, encontram-se verdadeiras obras de arte.  Alegres, mostram caminhos, pormenores do bairro, casas conhecidas, cantos que lhes transmitem memórias e que são fruto de conhecimento que iniciaram em casa.  Que caminhos seguimos, os que os adultos querem, ou aqueles que os mais pequenos definem?  Saímos à rua e, apesar de cansados, foram até onde os olhos deixam alcançar, foram olhar o rio de um ponto alto, até viram a outra margem, olharam as peças de arte expostas na parede,  e com isto, viveram momentos que na sala não poderíamos sentir, ouvir, cheirar, apreciar, ou simplesmente, viver.  Que obras de arte encontramos? Todas, casas pitorescas, calçadas gastas e cheias de histórias, vidas ...

Eu quero ser professor, como tu!

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O que queres ser quando cresceres? Bem cedo, é uma pergunta recorrente a fazer a crianças e jovens. É uma pergunta que se ouve sem medida, que se faz a qualquer criança, de qualquer  idade. Partindo desta pergunta, a maioria dos educadores, explora a temática das profissões em sala: polícias, bailarinos, bombeiros, professores, tratadores de animais,... uma panóplia de sugestões que mais parece uma lista de supermercado.    Torna-se engraçado verificar que, até mesmo após o nascimento, e em jeito de brincadeira, os pais dizem, “pode ser que venha a ser médico”. Como se isso fosse realmente o modo de atingir a tão desejada felicidade. E desta forma, até logo após o seu nascimento já estão a ser invadidos com esta pergunta!  Mas a pergunta persiste, em creche, em pré-escolar, no 1º ciclo, no 2º ciclo e no 3º ciclo, e ano após ano até chegarem, finalmente, ao 9 ano, existe a tão desejada decisão durante esse mesmo ano: que curso seguir, que áre...

Eu não te carreguei 42 semanas para isto!

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O jardim de infância é um espaço fabuloso de relação. Um espaço onde se promovem socializações, interações, se vinculam relações, um espaço cheio de oportunidades de crescer em micro sociedade , onde cada um, assume responsabilidades, tarefas, olha pelo outro e ajuda-o a ir mais além! Este espaço torna-se tão rico como o educador o quiser, tão rico como o educador o permitir. As competências que se desenvolvem diariamente leva a que, a nível futuro, vivam as relações sociais alicerçadas no respeito e na valorização pessoal, na valorização do outro. Trazem, tantas vezes, problemas de casa, e em grande grupo ou de forma individual, vão sendo debatidas, com o intuito não de saber mais, mas de as ajudar a lidar com cada problema e com cada preocupação. É uma verdade que, na grande maioria, os adultos nem se percebem da capacidade de compreensão destes pequenos, não se apercebem de que, mesmo com 3 anos entendem as atitudes, as zangas, as contrariedades que ocorrem em c...

Serei eu o saco de boxe da sua filha?

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Diariamente, a classe docente vive num campo de batalha. É uma guerra de emoções, de sentimentos, onde se vive, cada vez mais, a dificuldade de lidar com as frustrações e a forma como as birras se tornam o meio recorrente de o demonstrar.     Lidar com estas problemáticas leva ao cansaço, à exaustão. Mas, a nossa profissão leva-nos   à procura de novas estratégias para atenuar estes comportamentos em sala, ou simplesmente, para os ajudar a viver com esses sentimentos e torná-los em formas de expressão aceitáveis. Fala-se e torna-se frequente, a utilização da expressão, educar para os sentimentos, para as emoções. Num mundo ideal, perfeito e utópico, dever-se-ia tornar a educação num processo equilibrado de emoções e sentimentos, alicerçados no respeito mútuo e no autocontrolo de personalidades.   A sociedade valoriza, de forma por vezes excessiva, tudo o que acontece em prol das crianças/adolescentes. Toda a gente julga quando um pai bate no filho, quan...

Brincar na rua ou não, eis uma bela questão!

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Brincar na rua ou não brincar, eis uma bela questão!  Se está frio, não se podem constipar.  Se está a chover, não se podem molhar.  Se está vento, não o podem sentir.  Se está calor, não podem suar.  Se... Se... Se... Seja qual for o estado do tempo, a sala/casa é o melhor sítio para brincar.  Se saem à rua, não podem correr.  Se veem uma árvore, não a podem trepar.  Se têm uma poça, não podem chapinhar.  Se veem a relva, não podem rebolar.  Se encontram paus, não lhes podem tocar.  Se há lama por perto, por favor, cuidado, que se podem sujar!  Se... Se... Se... Tantos "ses" para evitar aquilo que melhor sabem fazer: brincar!  Tantas prioridades estabelecidas ao longo do dia, mas tão pouco coerentes, tão pouco direcionadas aos principais interessados!  A nossa capacidade de olhar para o que eles fazem, torna-se um verdadeiro obstáculo à valorização de cada exploração, de cada ...

Carta aos pais das crianças que tive, que tenho e que terei

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Carta aos pais das crianças que tive, que tenho e que terei...  O ano vai a meio, a necessidade e o interesse das crianças vai alimentando o trabalho a desenvolver em sala, ou fora dela. Os pais estabelecem metas, ansiedades, expectativas. Alguns, tornam-se conscientes de que o trabalho desenvolvido não pretende que seja escolarizado. Valoriza-se o brincar e, ao fim destes meses, quão rico tem sido permitir que brinquem sem medida.  Bem sei que ficaram preocupados, pelo facto de ser homem, um educador homem. E que, quando me conheceram, nas famosas reuniões de apresentação, vos veio à memória casos de violência, preocupações sociais, mas, mais grave do que isso, preocupações relativas a casos de pedofilia. Todos estes sentimentos, enquanto me apertavam a mão e esboçavam um sorriso acompanhado de palavras: ”Prazer em conhecê-lo!”  A todos, os que leem esta carta, digo-vos, com toda a certeza: “apenas” quero que os vossos filhos sejam felizes na sala on...

Estive doente em casa! Tomei o remédio cor de laranja, mas vim à escola!

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A febre, esse maldito estado, que faz com que os pequenos fiquem prostrados, sem vontade de se mexer, sem vontade de estar na escola  e que a todos atinge. De manhã, é dado o recado: “Passou bem a noite, está tudo bem!”. Com o passar do dia, ou logo pela manhã, vamos verificando no olhar, nas atitudes, que algo se passa.  Já os conhecemos, minimamente, para reconhecer que algo não está bem! Ao longo do dia procuram-nos para os abraçar, para se aninharem a nós, ou, simplesmente, para se agarrarem às nossas pernas.  Além de momentos de afeto, procuram chamar-nos a atenção para o seu estado, tentando nos mostrar  que algo não está bem.  O nosso instinto, o nosso conhecimento acerca do grupo, acerca de cada criança, já nos permitiu tirar algumas conclusões: não estão mesmo bem...   Os pais deixaram os filhos na escola logo pela manhã e, sem referir, sequer, que a criança não passou bem a noite, seguem o caminho como se nada fosse.  ...