A arte de educar com intencionalidade

A arte de educar com intencionalidade

Falar de Educação de Infância é falar de escolhas. São escolhas que parecem insignificantes, mas que se tornam impulsionadoras para o que acontece diariamente nas salas e fora delas. As pequenas decisões carregam em si uma consciente intencionalidade provocações que elevam a forma de estar das crianças. 

No dia-a-dia, o que aparenta ser fruto do acaso, um gesto, uma pergunta, um silêncio que escuta e o espaço que se permite a curiosidade, torna-se um foco para o educador que reafirma à criança a sua competência, a sua capacidade e o seu valor.

A intencionalidade educativa é isso mesmo, a capacidade de agir com um propósito. Olhar para cada criança como um ser único, com a capacidade de compreensão, do que precisa naquele momento e da criação de oportunidades transforma cada espaço e cada situação em aprendizagens significativas, através da experiência, do envolvimento e, claro, do brincar.

Não se trata de ensinar mais, mas de tornarmos consciente o processo de saber por que se faz o que se faz.

A intencionalidade educativa significa preparar ambientes que convidam e desafiam a descoberta, em que a observação se transforma numa ação que ajusta a prática de cada um, que escuta com verdadeira curiosidade o que as crianças revelam, e desta forma, transforma todas as pistas que nos chegam em decisões pedagógicas que lhes devolvem dignidade, ação e voz.

Quando um educador organiza um espaço exterior rico em possibilidades, está a afirmar que a aprendizagem e o desenvolvimento surgem com todo o corpo. Quando o educador torna consciente a potencialidade desse espaço, mesmo sem a sua intervenção, vive a noção da sua potencialidade e atribui-lhe significados que potenciam as suas intenções pedagógicas.

Quando se permite um tempo de brincar, confia-se na criança e no seu modo de explorar o mundo.
Quando se regista ou se documenta, através de notas, fotografias, conversas e partilhas com as famílias, está-se a criar pontes entre contextos e a reconhecer o valor da documentação como forma de compreender o percurso de cada criança.

A intencionalidade educativa não transforma a prática num manual rígido, pelo contrário, dá-lhe flexibilidade e a capacidade de se desviar do caminho definido em prol da criança.

A intencionalidade permite que o educador esteja atento, disponível, e que valorize o ritmo de cada um.

Numa escola onde se vive a intencionalidade, o dia-a-dia, o quotidiano, torna-se o currículo, e cada momento é reconhecido como uma oportunidade de aprendizagem.

Educar na infância é um ato de responsabilidade, mas também um ato de entrega e de empatia.

A intencionalidade educativa é o caminho que permite que essa entrega se transforme em pedagogia.



Rui Inácio

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