No dia em que a terra parou, os barcos deixaram de navegar, os carros deixaram de andar, os aviões deixaram de voar. Neste dia, os animais ganharam o seu espaço, a natureza foi encontrando o equilíbrio que necessitava e nós, tornamo-nos prisioneiros nas jaulas que, nós mesmos, contruímos. No dia em que a terra parou, tiraram-nos os abraços, o toque e o sentir. Isolaram-nos separadamente de todos aqueles de quem gostamos, obrigaram-nos a estar afastados, no entanto, reinventamo-nos neste novo viver. No dia em que a terra parou, reclamamos que os risos das crianças deixaram de se ouvir, que a rua deixou de ter o movimento que estávamos habituados a ver, que os parques infantis ficaram vazios e sem crianças a brincar, a imaginar e a criar. Queixámo-nos dessa liberdade que nunca reconhecemos e, mesmo sem valorizar o espaço exterior que as crianças insistiam em utilizar, reclamamos pela sua devolução. No entanto, antes de todo o confinamento, nem sequer o aproveita...